ONG responsabiliza Fujimori por esterilizações forçadas

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De  Antonio Oliveira E Silva
ONG responsabiliza Fujimori por esterilizações forçadas

<p>Várias plataformas sociais peruanas pedem à Justiça que acuse o antigo presidente da República, Alberto Fujimori, de crimes contra a Humanidade, por ter alegadamente ordenado a esterilização forçada de mais de 230 mil mulheres durante os 10 anos em que ocupou o cargo.</p> <p>Segundo um relatório realizado pela Organização Não Governamental Estudo para a Defesa dos Direitos da Mulher, o <span class="caps">DEMUS</span>, pelo menos 210 mil mulheres terão recebido, na altura, informação desadecuada ou incompleta sobre o processo e as suas consequências. </p> <p>O mesmo estudo alega que cerca de 25 mulheres não saberiam que a laqueação de trompas era uma operação irreversível.</p> <p>Os números apresentados no relatório referem dados de outros estudos, como “Política de Esterilizações com informação incompleta: Perú 1995-2000”, do economista Silvio Rondón, da Universidade de Nova Ioque (<span class="caps">NYU</span>, sigla em língua inglesa), e em investigações levadas a cabo por Camila Gienalla, do Instituto <span class="caps">CHR</span> Michelsen, da Norguega.<br /> <br /> <strong><span class="caps">DEMUS</span> diz que tem novas provas para apresentar</strong><br /> <br /> O instituto <span class="caps">DEMUS</span> diz que o relatório apresenta provas até agora ignoradas pela Justiça para provar a ilegalidade das esterilizações, como o importante número de operações realizadas a jovens, muitas das quais com menos de 25 anos e analfabetas, nativas da língua quechua e indígenas peruanas.</p> <p>O relatório diz que 11% das mulheres esterilizadas entre 1995 e o ano 2000 tinha menos de 25 anos, altura não recomendada pelos médicos para este tipo de intervenções, sobretudo como forma anticoncepcional. No caso das mulheres nativas da língua quechua, a percentagem sobe para os 15,6%.</p> <p>A <span class="caps">ONG</span> diz que foi Alberto Fujimori quem enviou para o Congresso do Peru a Lei Nacional da População, em 1996, que despenalizou a laqueação de trompas e as vasectomias como forma anticoncecional, o que terá levado, no ano seguinte, a que fossem realizadas cerca de 100 mil esterilizações. </p> <p>A lei foi aprovada no quadro da execução do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva e de Planificação Familiar, vigente entre 1990 e o ano 2000. </p> <p>O Defensor do Povo do Peru constatou que foram realizadas mais de 270 mil laqueações de trompas e mais de 20 mil vactomias entre 1996 e 2001, quase tosas a peruanos pobres, de zonas rurais e nativos da língua quechua.</p> <p>No entanto, não foi apresentado qualquer dado relativo a operações levadas a cabo com intimidações ou explicações enganosas.<br /> <br /> <strong><span class="caps">CIDH</span> fala num número “elevado” de afetadas</strong><br /> <br /> Segundo a <span class="caps">CIDH</span>, a Comissão Inter-americana para os Direitos Humanos, o número de mulheres afetadas pelas políticas alegadamente levadas a cabo pelo então presidente Fujimori é “elevado”. Pelo menos uma das mulheres terá morrido por causa de uma das operações.</p> <p>Alberto Fujimori cumpre uma pena de 25 anos de prisão por violações dos Direitos Humanos, tendo sido considerado responsável máximo das matanças ocorridas em Barrios Altos, em 1991 e em La Cantuta, um ano mais tarde, quando pelo menos 25 pessoas morreram às mãos do grupo militar Colina. </p> <p>Foi também condenado pelo sequestro de um empresário e de um jornalista depois do que é conhecido como o seu próprio golpe de Estado, em 1992.<br /> <br /> <strong>Com <span class="caps">EFE</span></strong><br /> <br /> </p>