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Mais de 230 famílias em risco de despejo no centro de São Paulo

Os cerca de mil moradores clandestinos do antigo hotel Santos-Dumond receberam ordem de despejo em julho

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Mais de 230 famílias em risco de despejo no centro de São Paulo

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Mais de 230 famílias, englobando cerca de um milhar de pessoas, podem vir a ser despejadas este mês de um edifício abandonado no centro da cidade de São Paulo, no Brasil.

O edifício foi ocupado por pessoas “sem teto” já há 10 anos, que o recuperaram e voltaram a tornar habitável, inclusive com luz e água, criando a que hoje é conhecida como a “comunidade Mauá” do Movimento Sem Teto do Centro (MSTC)

No final de julho, na sequência de um processo judicial para recuperar a posse do prédio, que estará a ser negociado com o município, os ocupantes clandestinos foram notificados com uma ordem de despejo. A hashtag #ficamaua ganhou ainda mais força na internet.

A ordem viria a ser suspensa em outubro por outro juiz paulista, mas apenas por 30 dias e esse prazo acaba a 21 de novembro.



Os residentes da “comunidade Mauá” estão de novo em risco de voltar a ficar sem teto. O desejo do condomínio clandestino do antigo hotel Santos-Dumond é conseguir o direito de habitação no edifício.

A suspensão da ordem de despejo foi decidida porque surgiu um novo dado no processo. “A Companhia Metropolitana de São Paulo (Cohab) pretende adquirir o imóvel citado, justamente para regularizar a situação das famílias que lá vivem há cerca de dez anos”, lê-se no comunicado do Ministério Público do Estado de São Paulo.

A coordenadora dos residentes no prédio conta que “a proposta desde o inicio é transformar o imóvel em moradia para famílias de baixos rendimentos”, tendo em conta, claro, as mais de 200 famílias que ali vivem.

“Esta propriedade esteve abandonada por 17 anos, somou dívidas fiscais. As pessoas precisavam de uma casa e foi por isso que a ocuparam”, explicou Ivaneti Araújo.


Entre os cerca de 1000 residentes neste prédio com porta na rua Mauá, encontra-se a sexagenária Teresa Maria.

“Eu não tinha forma de continuar a pagar um aluguer. Vim para aqui. Tanto prédio por aí vazio e nós aqui podíamos ter uma moradia digna, a pagar uma quantia que pudessemos e que para mim seria a água, a luz e o IPTU (IMI)”, admite.

Um outra residente, Solange Barbosa, vive no antigo hotel Santos-dumond com o marido e admite estar recetiva à solução proposta pelo município de ser realojada.

“Queremos sair daqui para melhor. Um apartamento nosso. Ou ficar aqui. Reformámos e pagámos por isto aqui onde estamos a morar. Queremos pagar a nossa água, a luz, o gás, o nosso condomínio. Nós não queremos morar de graça”, garante Solange.


A decisão pertence às autoridades de São Paulo, onde em 2016 já existiam 16 mil pessoas sem abrigo (podem vir a ser mais mil) e, de acordo com o último levantamento da Fundação João Pinheiro, existe também um défice de mais de 620 mil habitações.

O município identificado também no ano passado cerca de dois milhões de metros quadrados de imóveis “não utilizados”, “subutilizados” ou “não edificados”, que poderiam vir a ser aproveitados para eventual habitaçâo social, defendem alguns ativistas sociais.