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Violações e assédio sexual no país da igualdade de género

A Islândia tem um dos mais elevados níveis per capita, da Europa, de violações denunciadas.

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Violações e assédio sexual no país da igualdade de género

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A Islândia pode ter uma primeira-ministra e algumas das leis mais fortes do mundo, no que diz respeito à igualdade de género no trabalho, o que inclui salários, mas nem tudo são rosas para as mulheres. O país tem um dos mais elevados níveis per capita, da Europa, de violações denunciadas. A informação é do Eurostat. 

Situações, que incluem assédio sexual, que acontecem no quotidiano mas, maioritariamente, nas saídas à noite:

"Acabámos de aperceber-nos que muitas dessas coisas acontecem quando as pessoas estão a fazer a festa. Portanto, é preciso lembrar as pessoas para não assediar e quem foi assediado de que não fizeram nada de errado e que deveriam conversar com o pessoal do bar", explica a ativista pela igualdade de género Helga Lind Mar.

"A Islândia não é um refúgio seguro para as mulheres. Quando se tem uma violência, baseada no género, destas proporções, não se pode olhar para um país e dizer que é um lugar seguro", adianta a professora da cadeira de Igualdade de Género, da Universidade da Islândia, Gyda Margret Petursdottir.

"Há histórias de ministros que apalpam as suas pares quando estas vão a caminho do pódio para discursar. Isso também está a acontecer aqui, e é algo de que temos de falar", afirma Andres Ingi Jonsson, deputado do Movimento Os Verdes e responsável pela criação de um grupo, composto por deputados do sexo masculino, para discutir ativamente a situação do assédio sexual no parlamento.

A revolução causada pela campanha "#MeToo" chega também à Islândia. Os islandeses fazem vigílias e falam sobre esta questão nas escolas, para que, no futuro, possa haver, de facto, menos violência de género.

Um estudo da Universidade de Islândia, de 2010, dava conta que que 30 por cento das mulheres islandesas, entre os 18 e os 80 anos, tinham sido assediadas sexualmente, por um homem pelo menos uma vez. Destas, 13 por cento foram violadas, ou passaram por uma tentativa de violação.