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Filme russo recupera patriotismo anti-americano

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Filme russo recupera patriotismo anti-americano

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O filme sensação do momento na Rússia passa para a tela, logo para o público, o sentimento galvanizador de se ser um herói no coletivo.

"Three Seconds" explora a vitória russa nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972. Uma vitória em que a arbitragem atrasou duas vezes o relógio do jogo e estendeu o tempo para uma magra vitória russa sobre a até então invencível equipa americana. Os russos arrecadaram o ouro e fizeram um filme quarenta e seis anos depois, os americanos nem a medalha de prata aceitaram então.

Depois de arrecadar mais de 38.88 milhões de dólares na bilheteira em 3 semanas, o filme, financiado pelo Estado, tornou-se o maior sucesso doméstico, com mais de 9 milhões de pessoas a passar pelas salas de cinema russas para o ver.

O realizador Anton Megerdichev não acredita que seja o patriotismo o grande íman de uma afluência de público nunca antes registada: 

"Claro, talvez exista um elemento de nostalgia pela União Soviética e uma espécie de antiga grandeza, mas se fosse só isto no filme, provavelmente o público teria corrido imediatamente para o cinema no primeiro fim-de-semana e isto não aconteceu."

Talvez um filme sobre basquetebol, numa altura em que 68% dos russos indica Washington como inimigo número um, segundo uma sondagem recente (o valor cifrava-se em menos de 30% em 1999, antes de Putin) , não tenha entusiasmado logo. Já uma vitória patriota sobre os americanos no seu desporto-rei, faz esquecer arbitragens dúbias. 

Kirill Shulik, ativista da oposição e blogger desportivo vê o filme como uma necessária transposição da latência de um antagonismo face aos americanos e muito conveniente antes das eleições na propulsão do nacionalismo: 

"Não tivemos nenhuma guerra com os americanos, não lutámos. Se o tivéssemos feito, teríamos feito os típicos filmes de guerra. Assim, têm de se virar para o desporto, onde houve de facto um confronto entre os dois países."

O filme sai da produtora de Nikita Mikhalkov, conhecido pelas posições nacionalistas. Edeshko, o jogador russo que marcou o cesto da vitória, falou na altura de intervenção divina.

Agora com 72 anos, a divindade torna-se-lhe mais terrena ao afirmar que quando a União Soviética, uma economia planeada, planeava, ninguém conseguia saltar mais alto.