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Júlio Pomar, uma vida entre quadros e amigos

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Júlio Pomar, uma vida entre quadros e amigos

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Era considerado um dos maiores nomes das artes plásticas portuguesas do Século XX. Júlio Pomar morreu no Hospital da Luz, em Lisboa, aos 92 anos, segundo confirmou uma fonte da família.

Júlio Pomar nasceu em Lisboa em 1926. Inicialmente ligado ao movimento neorrealista, é opositor ao Estado Novo e exila-se em Paris em 1963. Amigo de longa data do ex-presidente Mário Soares, foi autor do retrato oficial deste. É ainda autor de muitas obras de arte pública, como os mural do Cinema Batalha (Porto), pintados quando tinha apenas 21 anos e apagados para sempre por ordem da PIDE e painéis de azulejos na Avenida Infante Santo e na estação de metro do Alto dos Moinhos, ambos em Lisboa. A tauromaquia, uma das suas paixões, era um dos temas recorrentes da obra que deixou.

A propósito do retrato de Mário Soares, conta: "Perguntei se gostaria que fizesse um retrato oficial, cheio de condecorações. Estava a piscar o olho a um retrato à Goya ou qualquer coisa mais livre, mais à vontade. Ele disse-me - e juro que não altero nem uma vírgula - O pá, tu faz o que quiseres".

Deixou obra no metro de Lisboa, mas foi no de Paris que mais viajou. Viveu as últimas décadas entre as capitais portuguesa e francesa, onde tinha ateliês e vivia rodeado de quadros e amigos.

A propósito da vida, confessou: "Um milagre, para mim, é sermos capazes de querer viver e sentirmo-nos bem a viver. É tão raro que vale a pena chamar-lhe milagre".