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Charlottesville, um ano depois o pesadelo racista mantém-se

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Charlottesville, um ano depois o pesadelo racista mantém-se

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Um ano após a trágica manifestação da extrema-direita americana que culminou na morte de Heather Heyes em Charlottsville, um protesto pacífico foi organizado nesta mesma cidade da Virginia, nos Estados Unidos, para alertar a opinião pública para o perigo do movimento de supremacia branca.

Uma das organizadoras deste protesto apontou o dedo à passividade da universidade local perante os militantes racistas.

"Eles têm medo de nós. Têm medo porque nós estamos a exigir mudanças à universidade. Estamos a exigir uma posição contra as várias formas do movimento pela supremacia branca. Contra os racistas que se manifestam e contra a supremacia branca entranhada nesta instituição", acusou Clara Carlson.

Com o protesto antifascista previsto continuar este domingo em Charlottesville, a professora Lisa Woolfork, uma das promotoras do movimento "Black Lives Matter" (tradução livre: "a vida das pessoas negras conta"), reforça o alerta antirracista.

"O que aconteceu aqui em Charlottesville há um ano pode acontecer noutras cidades dos Estados unidos. A Supremacia branca está gravada no ADN desta nação e aquilo a que assistimos em agosto do ano passado foi uma erupção dessa ideologia", explicou Lisa Woolfork.

A 12 de agosto de 2017, na sequência de uma manifestação da extrema-direita em Charlottesville intitulada "Unir a direita", um militante ligado à supremacia branca atropelou deliberadamente uma multidão de antifascistas e matou Heather Heyer, uma assistente jurídica de 32 anos e assumida ativista pelos direitos civis.

Um homem branc, de 20 anos, identificado como James Alex Field, foi detido e acusado pelas autoridades pelo crime de homicídio qualificado, num ato que deixou ainda 19 pessoas feridas.

A mãe de Heather Heyer, Susan Bro, dá agora continuidade à luta da filha.

"Parte da razão porque tomo uma posição e faço o que faço é para que existam cada vez menos mães a ter de chorar a perda de um filho. E nós já sofremos um terrível número de tiroteios desncessários", reivindicou a mulher que há um ano ficou sem a filha por causa de uma manifestação que se esperava pacífica.

O dia de sábado ficou também marcado por mais um "twit" do presidente Donald Trump. Apesar de ser conhecida a proximidade pessoal a grupos nacionalistas, o atual chefe da Casa Branca insurgiu-se contra o racismo.

"Os motins de Charlottesville de há um ano resultaram numa morte sem sentido e em divisão. Temos de nos juntar como uma só nação. Eu condeno todos os tipos de racismo e atos de violência", escreveu o Presidente americano, rematando com "paz para todos os americanos."

Também para este domingo está previsto decorrer uma nova manifestação "Unir a Direita", desta feita em Washington, onde se espera a concetração de vários grupos afetos à extrema-direita americana, incluindo militantes do movimento de supremacia branca que terão estado em Charlottesville há um ano.

A manifestação nacionalista deste ano tem prevista uma marcha até ao Lafayette Square Park, diante da Casa Branca.

Foram também autorizadas manifestações antifascistas na capital americana, incluindo pelo movimento "Black Lives Matter."

A polícia de Washington emitiu um aviso a propósito destas manifestações previstas na Constituição americana pela liberdade de expressão, proibindo a posse de arma a menos de 1000 pés (305 metros) de alguma destas concentrações previstas na capital.