Diáspora iraniana organizou protesto junto do Parlamento Europeu

Access to the comments Comentários
De  Isabel Marques da Silva  & Meabh Mc Mahon
Manifestação com membros da diáspora a pedir apoio da UE
Manifestação com membros da diáspora a pedir apoio da UE   -   Direitos de autor  AFP

"Mulher, Vida, Liberdade" são as três palavras gritadas por manifestantes anti-governamentais em todo o Irão e foram ouvidas,  também, em Bruxelas.

Centenas de pessoas da diáspora iraniana seguraram cartazes, em frente ao Parlamento Europeu, esta quarta-feira, recordando a morte de Mahsa Amin quando foi detida pela forma como usava o véu.

"Penso que a União Europeia (UE) tem que deixar de lado seus interesses económicos e deve pensar como qualquer ser humano", disse uma das manifestantes à euronews.

Um dos membros destacados deste movimento é Mona Mir Sattari, de 26 anos, que fala das dificuldades enfrentadas pelas mulheres do seu país, onde nunca esteve mas que sonha em visitar.

Cleared
Uma das jovens líderes da diáspora iranianaCleared

“É viver sem ter escolha, sem ter liberdade de expressão. Quem for para as ruas protestar, é morto. Atualmente, o regime ataca a pessoas em todos os protestos, usam munições reais. É perigoso protestar na rua, mas as pessoas continuam a fazê-lo porque não têm mais nada a perder”, disse a ativista à euronews.

A jovem segue o exemplo do pai que participa em protestos há décadas, e exige à UE que use sua influência contra o regime. Diz que o bloco tem instrumentos para atuar.

"A primeira coisa a fazer é combater o corte da Internet no Irão, porque se tivermos acesso a informação podemos fazer ainda mais. Mas se estiver sempre a ser cortada, as pessoas esquecem-se e deixam de agir. E preciso agir já e a Europa pode ajudar”, disse Mona Mir Sattari.

O chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, condenou o “uso desproporcionado da força” do governo do Irão nas manifestações, que já fizeram dezenas de mortos.

Na próxima reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros serão analisadas medidas que poderão incluir sanções económicas.

O acordo nuclear com o Irão, assinado em 2015, depois de longos anos de negociações, e que continua estagnado, é outra grande preocupação para a diplomacia da UE.