Estado da União: Guerra na Ucrânia testa eixo franco-alemão

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De  Stefan Grobe  & Isabel Marques da Silva
Líderes no caminho para a Conferência de Reconstrução da Ucrânia, em Berlim
Líderes no caminho para a Conferência de Reconstrução da Ucrânia, em Berlim   -   Direitos de autor  Markus Schreiber/Copyright 2022 The AP. All rights reserved

A Alemanha tem sido criticada por, alegadamente, fazer pouco e tarde para apoiar a Ucrânia. A sua classe política tem sido acusada de ser conciliadora com o regime do Kremlin, durante décadas, para proteger os lucrativos laços comerciais com a Rússia.

Nos últimos meses, alguns dos mais conhecidos politicos estiveram em foco: os antigos chanceleres Gerard Schröder e Angela Merkel passaram por um escrutínio mais intenso e o actual presidente, Frank-Walter Steinmeier, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, teve de pedir desculpa publicamente por uma política falhada em relação à Rússia.

Esta semana, Steinmeier fez uma viagem de surpresa à Ucrânia e na cidade de Koriukivka, ao norte, foi forçado a refugiar-se num abrigo antiaéreo quando as sirene tocaram. A sua mensagem de apoio soou humilde, mas honesta.

"Neste preciso momento, perante os infames ataques de mísseis e drones russos às infra-estruturas em todo o país, era importante para mim vir aqui e dizer ao povo ucraniano - aqui na capital, mas também para além da capital, nas aldeias e cidades - que estamos do vosso lado, que vos apoiamos, que continuaremos a apoiar-vos, economicamente, politicamente, militarmente, durante o tempo que for necessário", disse o presidente alemão.

A Alemanha co-organizou uma conferência internacional, em Berlim, juntamente com a Comissão Europeia, sobre a reconstrução da Ucrânia, uma tarefa monumental. O chefe de governo alemão, Olaf Scholz, disse: "A recuperação, reconstrução e modernização da Ucrânia será de facto um desafio para gerações, um desafio que exigirá a força combinada de toda a comunidade internacional".

O papel da Alemanha na gestão das consequências da guerra Ucrânia levou a relações tensas com o governo aliado mais próximo: a França. O governo de Paris está aborrecido com o facto de o governo de Berlim se ter isolado em matéria de alívio dos preços da energia, estratégia de defesa e relações com a China.

Esta semana, os líderes francês, Emmanuel Macron, e alemão, Olaf Scholz tiveram um almoço de trabalho apressado em Paris, depois de já terem sido adiadas consultas entre os gabinetes dos respetivos governos.

Estará a relação a viver uma verdadeira crise? A euronews entrevistou Ronja Kempin, analista no Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança. 

"Nos quase 60 anos de relações franco-alemãs sempre houve altos e baixos. Mas penso que o que marca a diferença hoje em dia é que a guerra mudou um pouco o equilíbrio no eixo. Tínhamos este acordo: a França era a potência de segurança e de defesa da Europa e a Alemanha era a potencia a económica. Com a atual guerra, a Alemanha também pretende tornar-se líder militar na Europa, e o mesmo se passa com a França. E é por isso que as coisas estão um pouco complicadas neste momento", disse Ronja Kempin.

(veja a entrevista na íntegra no vídeo)