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A pandemia da inteligência artificial e dos elétricos

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A pandemia da inteligência artificial e dos elétricos
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Quando os Emirados Árabes Unidos abriram as portas aos turistas, o Dubai acolheu o seu primeiro grande evento desde o confinamento para debater a inteligência artificial. Na conferência "AI Everything", alguns dos maiores especialistas da região refletiram sobre como é que a inteligência artificial pode ajudar as empresas a recuperar após a quarentena.

Jane Witherspoon, Euronews: Como têm evoluído os clientes e a experiência do cliente ao longo dos últimos meses? Quais são as dinâmicas do retalho? E como é que o uso da inteligência artificial está a afetar os novos clientes?

Hani Weiss, diretor-geral da Majid al Futtaim Retail: A personalização está a ajudar a um melhor consumo, com menos desperdício de tempo para os nossos clientes, e a garantir que os ajudamos também a escolher o que querem. Imagine comigo que, através da inteligência artificial, somos capazes de promover a substituição. É dessa forma que nos está a permitir melhorar, ser mais inteligentes, atender e antecipar as necessidades dos clientes. Todos os nossos empregados, mais de trinta e sete mil empregados, tiveram uma formação especial sobre inteligência artificial. Todos eles frequentaram a formação. Todos eles compreendem a importância dos dados. E mesmo quem está a atender na caixa compreende o que esta mudança vai contribuir para o bem dos nossos clientes.

J.W.: Uma das constantes em todos os negócios aqui representados é a análise de dados. E com ela vêm grandes questões de privacidade e segurança. Como assegurar a privacidade e a segurança no que diz respeito à informação pessoal?

Mudassir Sheikha, cofundador e diretor-geral da Careem: Como primeiro negócio digital, os dados são uma das coisas mais importantes que temos. Não temos fábricas. Não temos muitas outras coisas. Mas os dados são o tipo de combustível que impulsiona o nosso negócio. Portanto, estes são os três elementos em que nos concentramos: primeiro, queremos apenas garantir que temos a melhor equipa de segurança que pode ser contratada e trazida para a região; segundo, é uma questão da infraestrutura e dos sistemas que são utilizados para garantir a segurança dos dados. Assim, a maior parte dos nossos dados reside na nuvem, juntamente com muito hardware e software de segurança que assegura a proteção desses dados. E, finalmente, é uma função dos processos que são utilizados para gerir os dados.

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A inteligência artifical é cada vez mais posta ao serviço do consumoEuronews

J.W.: Refletindo sobre o assunto, o que aprendeu com a pandemia e a aplicação da inteligência artificial ao seu negócio?

H.W.: O online assistiu a um espantoso aumento do número de encomendas. Estou a falar de números próximos dos 300%, 400%, a Arábia Saudita, por exemplo, esteve muito perto dos 1000%. E o que vimos, o que é realmente espantoso, é que 28% dos clientes que experimentaram o online durante a pandemia, nunca, mas nunca, acedem a qualquer plataforma online.

M.S.: A nossa opinião é de que se nos pudermos tornar numa ponte entre o offline e o online, para as pessoas consumirem os serviços de que necessitam do mundo físico, se nos tornarmos numa super aplicação móvel, podemos de facto ajudar as pessoas a tornarem-se mais eficientes. Podemos ajudar as sociedades a tornarem-se mais produtivas e a impulsionar o crescimento económico.

A pandemia da automatização

Tal como com a inteligência artificial, a pandemia está, sem dúvida, a acelerar a adoção da automatização na maioria dos setores. A indústria alimentar e de bebidas não é exceção, com a procura de hambúrgueres e robôs de fazer saladas em ascensão, mas há quem se questione sobre se o toque humano pode realmente ser eliminado da indústria ou se é tudo apenas uma moda.

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O setor da restauração está a digitalizar-seEuronews

A pandemia está a alimentar a procura de robôs de cozinha e, apesar de a tendência ser anterior à covid-19, alguns acreditam que os eletrodomésticos passaram de novidade a necessidade.

Para Rick Wilmer, diretor-geral da Chowbotics, "a covid vai acelerá-la ainda mais, porque as pessoas estão preocupadas com o envolvimento de seres humanos na sua alimentação e na propagação de doenças. Assim, se conseguirmos, de alguma forma, tirar os seres humanos da equação, e substituí-los por robôs, as pessoas tendem a sentir-se mais seguras".

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Refeição preparada por um robôEuronews

As empresas de robótica garantem que não estão a tentar substituir os humanos... mas é difícil imaginar que não haverá qualquer impacto no emprego.

"Encaramos isto como uma capacitação para a equipa, porque nos ajuda a libertar o nosso coração para a hospitalidade", explica o vice-presidente da White Castle, Jamie Richardson.

Apesar de úteis, em particular durante uma pandemia, alguns especialistas duvidam de que os robôs possam competir com os seres humanos no setor alimentar e de bebidas, a longo prazo.

"Como é que eles podem competir com os restaurantes que já se estão a tornar nestes quiosques?", pergunta Max Elder, do Intituto para o Futuro. "Para mim, a proposta de valor até funciona, mas continuo cético quanto ao seu grande sucesso. E se tiverem, podem tê-lo durante a pandemia, mas vão desaparecer tão rapidamente quanto apareceram. Quando automatizamos o ato de cozinhar, preparar, apresentar, partilhar alimentos, acredito profundamente que perdemos muito do que é inerente a essa refeição, a essa experiência e ao que realmente significa alimentarmo-nos e sermos alimentados", defende o investigador.

No encalço da Tesla

Em julho, a TESLA tornou-se no fabricante de automóveis mais valioso do mundo. Os concorrentes têm lutado para acompanhar o ritmo de inovação na empresa, apesar do controverso presidente Elon Musk, da volatilidade do preço das ações e da incapacidade de produzir em massa alguns dos protótipos mais atrativos. A Nissan é uma das marcas a querer fazer frente à líder de mercado, com novos modelos elétricos.

Apesar de uma paragem de sete semanas na fábrica de montagem nos Estados Unidos, a Tesla registou um lucro líquido de 90 milhões de euros no segundo trimestre de 2020.

Foi o quarto trimestre positivo da empresa, após ter ultrapassado a Toyota enquanto fabricante de automóveis mais valioso do mundo. Mas a concorrência não descansa.

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Ariya, o novo SUV elétrico da NissanEuronews

Num ano em que teve uma perda de cerca de 5,3 mil milhões de euros e viu o antigo diretor, Carlos Ghosn, fugir das autoridades acusado de corrupção, a Nissan quer virar a página. O novo Nissan Ariya, um SUV elétrico, representa, nas palavras do diretor-geral da marca, Makoto Uchida, "um novo capítulo, um novo rosto, uma nova linguagem".

Para Jim Holder, director editorial da revista Autocar, "o que estamos a ver com o lançamento do Nissan Ariya é a próxima geração de tecnologia de carros elétricos a chegar ao mercado, onde a Nissan está há muito tempo. Foi uma das pioneiras com o Nissan LEAF, mas isso já foi há mais de uma década".

Mas de acordo com Makoto Fukuda, especialista-chefe de desenvolvimento de produtos da Nissan, a experiência e conhecimento ganhos com o modelo são uma vantagem para marca.

"Em termos de concorrência, sim, há muitos bons fabricantes que produzem veículos elétricos, mas a nossa vantagem é que começámos com o LEAF em 2010; foi o primeiro a ser produzido em massa no mundo, por isso temos uma enorme base de clientes do LEAF com os quais podemos aprender muitas coisas", afirma.

O momento, defende Jim Holder, 'e de viragem para o setor, com "os carros eléctricos a estarem finalmente a atingir um ponto em que podem igualar ou eclipsar de muitas maneiras os carros que nos habituámos a conduzir nos últimos cem anos ou mais".

Os veículos crossover representaram 40% das vendas recentes de automóveis nos Estados Unidos. A um preço semelhante, a Nissan espera, com o Ariya, tirar uma fatia do mercado do Modelo Y da Tesla . O tempo dirá se o último carro elétrico da marca representa uma nova era para a empresa.