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Inteligência artificial: Um admirável mundo novo em tempo de pandemia

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Inteligência artificial: Um admirável mundo novo em tempo de pandemia
Direitos de autor  euronews   -   Credit: Dubai Tourism
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Que soluções é que a inteligência artificial pode oferecer no quadro de uma pandemia? E como é que a respetiva implantação foi acelerada em setores como o da saúde e da educação? Estivemos na conferência "AI Everything", o primeiro grande evento no Dubai desde o confinamento, para perceber o mundo de oportunidades disponível.

"O problema com a pandemia é que se trata de um alvo móvel. Espalha-se muito rápido. Há muitos pontos de contacto. Por isso não se pode pedir às pessoas para examinarem todos os dados para perceber como é que as coisas estão a mudar no terreno. Existe muito trabalho feito com recurso à inteligência artificial com o propósito de apresentar simulações e compreender, também, a disseminação da doença, para se criarem estratégias de contenção da propagação do virus", sublinhou, em entrevista à Euronews, Omar Bin Sultan Al Olama, ministro de estado para a Inteligência Artificial dos Emirados Árabes Unidos.

Durante o evento, Sherif Beshara, diretor-executivo do Hospital Americano do Dubai, mostrou-se surpreso com a forma como a inteligência artificial ajudou a prever a procura durante a pandemia.

"Lembro-me do primeiro encontro em que participámos no comité de crise e desastres e da forma como o setor privado foi surpreendido pelo governo e pelo uso de inteligência artificial. Deram-nos as previsões e foram claros em relação ao número de casos que chegarão ao Dubai e Emirados Árabes Unidos. Em relação aos consumíveis e ao equipamento que necessitamos, anteciparam a quantidade de unidades de cuidados intensivos e de camas necessárias", lembrou Beshara.

Uma aplicação recente de sucesso da inteligência artificial envolveu cirurgiões robóticos que ajudam os médicos humanos a reduzir complicações e a neutralizar infeções durante a cirurgia.

"A nossa cirurgia robótica realizou 105 operações durante a pandemia em doentes de risco extremamente elevado com zero infeções e sem complicações", acrescentou Beshara. Mohammad al Redha, da autoridade de saúde do Dubai, alertou, no entanto, que a inteligência artificial esbarrou na resistência inicial de alguns médicos: "Os cirurgiões tendem a ser um grupo difícil de trabalhar. Quando se trata de os convencer que tudo tem a ver com a maior segurança dos doentes, com melhores resultados e eficiência, penso que se deixam levar pela corrente e acabam também por se tornar os campeões de certas tecnologias."

Na educação, a aprendizagem à distância lembrou muitos pais da importância do ensino de qualidade e essa é uma área na qual muitos peritos acreditam que o toque humano é verdadeiramente insubstituível.

"[Muitos pais] inscreveram-se para se conectarem com a criança, para ensinar a criança a propósito de si mesma e do mundo ao redor. A inteligência artificial não fará isso. Por esse motivo penso que restabeleceu o ensino como profissão. O que a tecnologia fez foi ampliar a nossa conectividade e a nossa humanidade. Penso que por causa da pandemia percebemos como a nossa humanidade é importante", referiu Abdulla al Karam, presidente da autoridade de conhecimento e desenvolvimento humano do Dubai.

Perto da Fundação Dubai Future estão em curso trabalhos sobre a governança da inteligência artificial na pedagogia. O ser humano está na linha da frente, como lembrou Mariam Obaid al Muhairi, gestora de projeto na fundação: "Como é que asseguramos que a inteligência artificial usada na educação e em brinquedos é ética e responsável, protegendo a privacidade das crianças? Vimos o uso da Inteligência Artificial apoiar crianças com autismo e problemas de aprendizagem. Isso é feito através do que chamamos de brinquedos inteligentes. Mas estamos muito interessados em perceber também como é que a inteligência artificial pode ajudar os professores a ensinar melhor. Coisas como perceber como é que um aluno aprende a olhar para uma espécie de padrão de reconhecimento e ser capaz de adaptá-lo. São ferramentas que ajudarão em vez de substituir."

Das cirurgias aos infantários, a pandemia acelerou a adoção da inteligência artificial, mas alguns domínios continuarão sempre a precisar de um toque humano.