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Conselho de Transição líbio não quer forças ocidentais

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Conselho de Transição líbio não quer forças ocidentais

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Mohamed Farhat, representante do Conselho Nacional de Transição da Líbia, foi entrevistado pelo jornalista Charles Salamé, em Bruxelas. Farhat aborda o destino de Khadafi e o futuro do país, bem como a situação no terreno e a ajuda da NATO.

Euronews: Onde está Muammar Khadafi?

Mohamed Farhat: Segundo as fontes do Conselho Nacional de Transição, Khadafi ainda está na Líbia e, provavelmente, no oeste do país e podemos mesmo dizer que ele não deixou a capital, Trípoli. Numa situação excecional como aquela que Trípoli vive nos últimos dias é provável que informações contraditórias sejam difundidas, mas nesta altura não sabemos se Saif al-Islam foi capturado, se ele escapou ou se ele nunca foi capturado, mas não nos devemos concentrar nestas informações, que não vão mudar nada, pois na realidade 90% de Trípoli é controlada pelas forças do Conselho Nacional de Transição.

E: Possuem os meios técnicos e políticos para governar a Líbia?

MF: Eu penso que o Conselho Nacional de Transição foi bem sucedido na crise líbia ao longo dos últimos seis meses e penso que terá sucesso na reconstrução do Estado pós-Khadafi.

E: Teme uma guerra civil na Líbia?

MF: Nós não temos qualquer sinal no terreno que nos faça temer os perigos de uma guerra civil, graças à ausência de divergências religiosas e de conflitos entre as diferentes partes do povo líbio. Ao longo dos últimos meses, o regime de Khadafi tentou semear os conflitos de diferentes formas e sublevar os líbios uns contra os outros, mas o povo mostrou-se unido.

E: O que pensa do papel das tribos?

MF: As tribos anunciaram que apoiam a revolução…

E: Teme atos terroristas contra as zonas petrolíferas?

MF: Nós esperamos ameaças terroristas da parte dos Kataebs de Khadafi, que estão sempre armados, mesmo se são cada vez menos numerosos, mas nós tomamos todas as medidas de precaução para proteger os sítios petrolíferos e retomar a produção e a exportação do petróleo assim que possível.

E: Como serão geridas as relações com o Ocidente no futuro e qual será a influência do Ocidente na política estrangeira da Líbia?

MF: Eu penso que a Líbia respeitará a sua filiação ao mundo árabe e aos países do Mediterrâneo e que nós respeitaremos todos os tratados e seremos eficazes na preservação do ambiente, na luta contra a imigração clandestina e no reforço do comércio com a Europa de fontes de energias renováveis, que são abundantes na Líbia. As nossas relações com a Europa e o Ocidente serão baseadas nos princípios do respeito mútuo e dos interesses comuns.

E: O Conselho Nacional Transitório da Líbia aprova uma presença militar das forças da NATO em território líbio?

MF: Nós não aprovámos isso durante o período de crise e agora estamos na fase de construção do país. Hoje, as forças armadas do Conselho Nacional tornam-se, cada vez mais, poderosas e organizadas e distanciamo-nos cada vez mais da ideia de recorrer à presença das forças ocidentais no terreno.