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Romney espera impulsionar a campanha depois da Convenção Republicana

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Romney espera impulsionar a campanha depois da Convenção Republicana

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Até agora, Mitt Romney gastou vários milhões de dólares na campanha para chegar até à convenção, de segunda-feira, do Partido Republicano, na Florida. Convenção em que, salvo surpresa de última hora, Romney vai ser nomeado candidato republicano à presidência dos Estados Unidos.

Mas até ao próximo mês de novembro, Romney vai ter de convencer muitos eleitores de que é o melhor candidato para dirigir o país.

No próprio partido, o ex-governador do Massachusetts ganhou apoios ao concentrar a campanha na economia e no emprego.

Romney nomeou Paul Ryan candidato para a vice-presidência – que não esconde a simpatia relativamente ao Tea Party. Ryan partilha com este movimento ultraconservador a visão económica no sentido de reduzir a despesa social para baixar o défice.

O arcebispo católico de Nova Iorque, descontente como muitos outros líderes religiosos de 40 Estados, vai benzer o evento republicano, o que escandaliza uma boa parte da sociedade. Outros católicos e protestantes hão-de benzer o Congresso Democrático.

A Igreja tomou partido e está dividida por causa de uma lei que obriga os grupos de aconselhamento à família e para a educação a apresentar os meios contracetivos e o aborto. A maioria destes grupos são religiosos e rejeitam aplicar a lei de Obama.

O congressista Todd Akin, senador do Missouri vai rentar levar as mais radicais propostas de defesa da vida a Tampa, nomeadamente proibir o aborto em caso de risco de vida da mãe, incesto e violação.

Só que a escolha de radicalizar mais a campanha e ganhar votos à direita, não quer dizer que não provoque descontentes na ala mais moderada…

A euronews ouviu o especialista da ABC News sobre esta Convenção e a hipótese de Akin conseguir apresentar-se em Tampa.

Adrian Lancashire, euronews – Jonathan Karl … estas convenções servem, normalmente, para atacar o candidato do partido rival. Ainda vamos ouvir falar de outros temas para além da economia, do emprego e da saúde?

Jonathan Karl, ABC – Claro que sim. Esta é a única oportunidade de Romney para apresentar a visão que tem para o país, é a maior oportunidade, é a única em que conseguirá captar a atenção de todos. Vai ter uma audiência enorme, principalmente na quinta-feira à noite, no momento do discurso. Além dos debates presidenciais de outono, esta é a a altura certa para captar o interesse da nação e para ganhar votos.

Além dos ataques contra Obama e propostas sobre economia, é a imagem do Partido Republicano que se quer dar a conhecer ao país.
Vão estar presentes muitos latinos, afroamericanos, mulheres, que vão mostrar uma imagem mais inclusiva do Partido que durante o processo das primárias.

euronews – Que espera Romney desta Convenção? E os republicanos?

JK – Uma das coisas com que Romney deve contar é que o presidente Obama não o vai deixar sem resposta. A tradição nos Estados Unidos é a de, durante as convenções, o partido rival se manter à margem, pelo menos por uns dias, para dar ao outro a oportunidade de falar à nação. Mas Joe Biden vai estar em Tampa esta segunda-feira e, de certeza, vai falar. O presidente também vai estar em campanha durante a Convenção Republicana. Mas uma das coisas que esperam os republicanos é conseguir um impulso depois da convenção e, por impulso, quero dizer que estarão mais concentrados nas eleições do que estiveram até agora.

euronews – Os republicanos têm o candidato menos popular e com menos ideologia dos últimos tempos. Mas com o vice-presidente, Paul Tyin, o programa tornou-se fortemente ideológico. Algumas pessoas dizem que isto representa uma espécie de crise de identidade. Está de acordo?

JK – Uma crise de identidade é precisamente aquilo de que tem sido acusado Mitt Romney em toda a campanha.

Em 1994, fez campanha contra Ted Kennedy, no Massachussets, como republicano moderado, quase repudiando o próprio partido. Assumia-se diferente e chegou a criticar Ronald Reagan.

Para ganhar estas primárias republicanas quis mostrar-se um grande conservador, nomeadamente na questão da imigração, situando-se à direita dos outros candidatos. Agora, necessita fazer marcha atrás e apelar aos hispânicos sem parecer estar a mudar de campo.

Paul Ryan pertence à base conservadora do partido, a que nunca pertenceu Romney, é como uma crise de identidade. Mas agora é um candidato diferente, não como quando governava o Massachussets; agora congregou a ala mais conservadora do partido, no que também fez marcha atrás.

euronews – O que pode dizer-nos sobre Todd Akin?

JK – Todd Akin não será benvindo em Tampa. O presidente do Partido Republicano disse-lhe mesmo para não aparecer. Todo o partido lhe virou as costas com vergonha. A pior consequência das declarações de Akin para o Partido Republicano é que pode não conseguir retomar as rédeas do poder no Senado. O Missouri era o Estado mais vulnerável para a reeleição republicana no Senado. E é isto que vai assombrar a Convenção, mesmo sem a presença de Akin.

Os democratas estão, constantemente, a lembrar que Akin é o candidato do Missouri e que tem uma relação próxima com paul Ryan, tabalham juntos na Comissão do Orçamento. Paul Ryan promoveu com Todd Akin e outros republicanos uma lei para proibir totalmente os abortos. Por este motivo, Akin pode tirar o brilho à Convenção e foi essa a razão de exigirmos que não marcasse presença.