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Cenários para o conclave

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Cenários para o conclave

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Quais são os cenários possíveis para o conclave? Conversamos com Giacomo Galeazzi, jornalista do La Stampa, de Turim, e autor de um blogue sobre os assuntos da Santa Sé.

euronews: Quais são os cardeais e as correntes que podem determinar as escolhas, a direção que irá tomar o conclave?

Giacomo Galeazzi: “A atenção das congregações está a concentrar-se em torno de dois nomes: o do arcebispo de Milão, Scola, e o do arcebispo de São Paulo, no Brasil, Scherer, também comissário para o banco do Vaticano. Em torno destes nomes, poderemos ter nas primeiras votações uma espécie de concentração entre membros da Cúria, o governo do Vaticano, e cardeais fora da Cúria, que nas congregações gerais foram muito críticos em relação à gestão do escândalo ‘vatileaks’ “.

euronews: Há favoritos para o conclave?

Giacomo Galeazzi: “Neste momento há uma tendência para eleger o primeiro Papa não-europeu da história. O ‘vatileaks’ e os escândalos financeiros do Vaticano atingiram em especial a Cúria e os cardeais italianos. Isso fez perder força a ideia do regresso a um Papa italiano, depois de dois pontificados de estrangeiros. Assim, de momento, o candidato mais forte, que tem o apoio do secretário de Estado Bertone, parece ser o cardeal brasileiro Scherer, que une a atividade pastoral em São Paulo, com a de homem capaz de gerir, já que é membro da comissão de vigilância do banco do Vaticano”.

euronews: Em fevereiro de 2012, Bento XVI nomeou 22 cardeais, a maior parte italianos. Em novembro de 2012, nomeou seis cardeais não-europeus, quase uma forma de equilibrar o conclave. O próximo pontificado será de continuidade?

Giacomo Galeazzi: “Penso que a ‘purificação de Ratzinger’ é um programa de governo que não poderá deixar de ser seguido. O próximo Papa deverá pegar na herança de Bento XVI, que vai na direção da luta contra os abusos sexuais na Igreja e da purificação dos escândalos financeiros. Não podemos esquecer que Bento XVI é o Papa que pediu a demissão de cerca de 80 bispos para impedir mais abusos sexuais e para restabelecer, no Vaticano, a autoridade nas informações financeiras de forma a esclarecer e vigiar as sagradas finanças”.

euronews: Em Itália dizemos que ‘aquele que já entra Papa no conclave, sai como cardeal’, o que significa que quem é demasiado favorito ao início arrisca-se a ser prejudicado na altura do voto. Há alguma verdade nisto?

Giacomo Galeazzi: “É uma forma justa de ver as coisas. As congregações gerais, que caracterizam esta fase antes do conclave, mostraram que os cardeais, sobretudo os que vêm do Sul, querem ser protagonistas na exigência de uma clarificação e querem que a Cúria romana seja reformada de uma forma que Bento XVI foi impedido de fazer. Seria um sinal importante que o próximo Papa não fosse apenas da linha de Ratzinger, porque nomeado por ele, mas que também tivesse a vontade de prosseguir com esta operação de limpeza iniciada por Bento XVI e que seguisse a sua linha de luta contra os escândalos na Igreja. Portanto, todos os cardeais que foram arrastados para o escândalo ‘vatileaks’ serão colocados fora de jogo. Aparentemente, a Cúria Romana será atingida por uma espécie de tsunami de candidaturas extra europeias que podem levar o pontificado para longe de Roma e torná-lo mais internacional”.