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Iranianos à espera do fim das sanções

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Iranianos à espera do fim das sanções

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Graças aos subsídios governamentais, o preço dos combustíveis no Irão não sofreu alterações significativas nos últimos 3 anos.

Na tomada de posse perante o parlamento, o presidente Hassan Rohani prometeu trabalhar na procura da solução para minimizar o impacto que as sanções económicas estão a ter na sociedade iraniana.

Oitenta por cento das receitas do estado são provenientes da exportação do petróleo. Com o embargo às exportações de crude as receitas baixaram. Um dos muitos setores afetados pela falta de verbas é o da saúde:

“Os pacientes que sofrem de doenças raras necessitam de medicação que é totalmente importada de países estrangeiros. Se as sanções continuarem, a vida desses pacientes estará em risco”, disse o Dr. Ali Davoudian.

Constatando que não haverá melhorias se o problema das sanções não for alterado, as pessoas tentam encontrar alternativas no dia-a-dia, enquanto depositam toda a esperança em Hassan Rohani, um presidente mais moderado e menos conflituoso que o anterior.

Economista lança campanha contra sanções impostas ao Irão

Moussa Ghaninejad é economista e escreve no jornal Donya-ye Eqtessad – O Mundo da Economia. Ghaninejad lançou uma campanha contra as sanções económicas de que o Irão é alvo. O repórter Olaf Bruns falou com ele para nos dar a conhecer este movimento.

Mousa Ghaninejad, economista: “É uma campanha ou um movimento da sociedade civil italiana para fazer despertar a opinião pública no Ocidente, na Europa e nos Estados Unidos, sobre as sanções económicas. Os economistas iranianos acreditam que há dois problemas principais com estas sanções económicas. Em primeiro lugar, as sanções opõem-se às regras de livre comércio; em segundo lugar, não atingem os seus objetivos.

Euronews: As sanções existem há muito tempo. Por que é que esta iniciativa só surge agora? O que mudou?

M.G.: Duas coisas mudaram. Em primeiro lugar, houve uma eleição no Irão e um Presidente moderado entrou em funções e quer relações pacíficas com o Ocidente. O outro assunto importante tem a ver com o impacto muito severo e destrutivo do aumento das sanções sobre a vida das pessoas, sobretudo nas classes mais baixas da sociedade e na classe média. Hoje em dia, o nosso país está a enfrentar grandes problemas em relação aos medicamentos e aos produtos alimentares. Queremos que a opinião pública mundial conheça estes problemas para que possa compreender que tais medidas não são adequadas para se alcançar o que se pretende.

Euronews: Se pensa que as sanções não servem os objetivos dos Estados Unidos, então quem ganha com elas?

M.G.: Estas sanções económicas, e sobretudo o intensificar das sanções, vão servir os interesses dos radicais no Irão e fora dele (nos Estados Unidos e na arena mundial). No Irão, vê-se que alguns destes radicais olham para as sanções económicas dos Estados Unidos e do Ocidente como uma benção e gostam da situação. Isto deveria ser um sinal para os americanos para que eles vejam quem está a ganhar com a situação. Na realidade, as sanções enfraquecem os que estão à procura de diálogo e fortalecem os que não querem soluções mas antes querem manter uma posição extremista. E há muitos interesses, não apenas políticos e económicos.

Euronews: Nos Estados Unidos, acabam de ser aprovadas novas sanções. Está otimista quanto ao sucesso da sua iniciativa?

M.G.: Não teríamos feito isto se não estivéssemos otimistas. Estamos otimistas mas o que os americanos fizeram há uns dias foi totalmente inapropriado e o “timing” foi mau. Mas sabemos que dentro da administração norte-americana e até no Congresso, há pessoas contra estas sanções. Queremos chegar até elas porque – como disse o Presidente – para se atingir um resultado, não devem usar a linguagem das sanções, devem falar a linguagem do respeito.