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Governação global

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Em Monte Carlo, no Principado de Mónaco, decorreu a 6ª edição da Conferência sobre Política Mundial. Cerca de 300 políticos, empresários, representantes de organizações internacionais reunidos para uma análise geopolítica e económica que abrange todas as regiões do mundo.

A primeira sessão ficou marcada pela decisão iraniana de abandonar as negociações sobre o seu programa nuclear, depois dos Estados Unidos decidirem alargar as sanções. Didier Reynders, vice primeiro-ministro belga, dá-nos o seu ponto de vista sobre esta matéria:

“Numa questão tão delicada, esperam-se sempre crises, interrupções. O importante é haver um retorno à mesa das negociações. Espero que façamos o possível para reunir, novamente, os parceiros porque a crise iraniana é provavelmente, em termos geopolíticos, a crise mais significativa para a segurança no mundo.”

Ali Babacan, vice primeiro-ministro turco, não tem dúvidas quanto à posição do seu país:

“Nós defendemos que cada nação soberana tem o direito a possuir e usar a tecnologia nuclear para fins pacíficos. Mas somos contra as armas nucleares, contra as armas de destruição massiva na nossa região ou em qualquer outra.”

A crise síria e a decisão dos EUA e do Reino Unido interromperem o fornecimento de armas aos rebeldes foi sido debatida na conferência, Didier Reynders vê essa decisão com bons olhos:

“Nunca defendi o fornecimento de armas se não tivermos uma visão muito clara sobre quem vai usá-las. Há muita confusão hoje na Síria. Precisamos de ter muito cuidado no fornecimento de armas e no apoio que damos mas, devemos fazer tudo para trazer os parceiros de volta à mesa das negociações.”

A União Europeia também está a passar por uma crise geopolítica, com a recusa da Ucrânia em assinar o tratado de associação e as consecutivas manifestações em Kiev. Thierry de Montbrial, fundado e Presidente da WPC, acredita que a situação acabará por resolver-se:

“Acho que acabará por haver um acordo com a União Europeia, mas o que temos de ver é que a UE também deve ser capaz de honrar os seus compromissos. Falar retoricamente sobre a Ucrânia é muito bom, mas será que a UE tem, realmente, vontade e meios para investir, a fundo, mesmo no plano económico, na Ucrânia? Não estou seguro.”

A crise económica na Europa significa, em primeiro lugar, problemas sociais como o desemprego, elevado em vários países, particularmente, entre os jovens. Joaquín Almunia, comissário europeu explica as medidas que estão a ser adotadas para amenizar a situação:

“Aprovámos uma estratégia de ajuda aos países e às suas políticas de emprego. Criámos, por exemplo, uma garantia de emprego para jovens. A Comissão gere também as contribuições dos Estados-membros, para os próximos dois anos, ou seja, seis mil milhões de euros para programas específicos de apoio ao emprego jovem”.

A cibersegurança e proteção da vida privada é outro grande problema que, na Europa, poderá afetar não apenas questões éticas, mas também a sua competitividade económica. Carl Bildt, ministro sueco dos Negócios Estrangeiros, acredita que é preciso estar alerta:

“Devemos estar conscientes do impacto económico da revolução do Big Data, os norte-americanos, que têm enormes vantagens nos preços da energia. Aquilo que vai ter um impacto negativo sobre a economia europeia também pode ser uma grande vantagem. Não devemos dar aos americanos muitas vantagens em termos de competitividade “ .

Não há soluções simples para as muitas emergências internacionais. Diplomacia, diálogo e confronto democrático continuam a existir, para muito, a melhor forma de avançar.