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Irmandade Muçulmana: terrorista....uma classificação com consequências

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De  Euronews
Irmandade Muçulmana: terrorista....uma classificação com consequências

<p>O Egito está a mergulhar numa espiral de violência à medida que se aproxima o referendo constitucional de 14 e 15 de janeiro, antes das eleições legislativas e presidenciais previstas para daqui a seis meses.<br /> Domingo, em Anshas (área estratégica por causa de Ismailiya e Canal do Suez), um segundo atentado à bomba, em menos de uma semana, atingiu uma filial dos serviços secretos no Delta do Nilo. Os soldados que protegiam o edifício ficaram gravemente feridos.</p> <p>O mesmo ambiente elétrico na universidade Al Azhar, onde os estudantes se confrontam com os polícias desde sexta-feira e onde já se contabilizam seis mortos. Esta universidade sunita tornou-se um dos mais importantes centros dos contestatários da Irmandade Muçulmana.</p> <p>O atentado suicida de Mansura, na terça-feira, dia 24, contra uma sede policial, causou 16 mortos e marcou uma reviravolta na situação de braço de ferro entre o governo militar e a Irmandade Muçulmana.<br /> A Irmandade condenou o atentado, reivindicado por um grupo jihadista do Sinai.</p> <p>Ansar Bayt al-Maqdis, diz inspirar-se na Al Qaida, mas o governo acusou a Irmandade Muçulmana de usar o grupo como testa de ferro.<br /> No dia de Natal a Irmandade foi considerada organização terrorista pelo governo.</p> <p>A partir de agora milhares de militantes arriscam a prisão, até cinco anos, se forem possuirem documentos ou outros registos da Irmandade e se incitarem manifestações. Os protestos pacíficos foram imediatos, no dia 27 em Alexandria.</p> <p>O atentado suicida visou a Direção de Segurança de Al Mansura, na sequência da classificação da Irmandade Mçulmana como terrorista. A tensão aumenta: analisemos os detalhes e consequências com o perito em segurança Okacha Khaled.</p> <p>Mohammed Shaikhibrahim, euronews – Quem integra o “Ansar Beit Almaqdis”, e quais são as principais provas detidas pela segurança egípcia que apontem a autoria do atentado?</p> <p>Khaled Okacha – O grupo “ Ansar Beit Al-Maqdis “ é uma das organizações terroristas qualificada como de segunda geração da Al Qaida. É um pequeno grupo formado durante o período que se seguiu à revolução de 25 de janeiro, noemadamente na região do Sinai.<br /> Realtivamente às provas da culpabilidade na explosão, posso apenas dizer que a técnica, os métodos e o impacto do ataque foram analisados e os resultados mostram de modo espetacular as semelhanças deste ataque com o modo operativo já utilizado pelo Ansar Beit Al-Maqdis.</p> <p>euronews – Quais são as ligações entre Ansar Beit Al-Maqdis e a irmandade Muçulmana? </p> <p>Khaled Okasha – Foram tecidos elos profundos entre este grupo e a Irmandade Muçulmana, que mantiveram contactos na região do Sinai e que estão a ser utilizados como braço terrorista armado para efetuar uma pressão real em diferentes localidades da região do Sinai e exercer uma chantagem política sobre o conselho militar responsável por esta fase de transição. </p> <p>euronews – Que consequências tem, neste momento, o anúncio da designação de terrorista para a Irmandade Muçulmana e para o Egito?</p> <p>Khaled Okasha – A partir de agora, a organização da Irmandade Muçulmana vai sofrer restrições ao espaço de liberdade de que dispunha anteriormente, restrições de movimentação e revistas de segurança. Por exemplo, sexta-feira passada, pela primeira vez, foram presos 256 ativistas desta organização, entre os quais, 40 mulheres, em plena manifestação. <br /> Os detidos podem ser julgados por crimes terroristas, segundo os artigos 86°, a e b, e 89° do Código Penal, que prevêem sanções severas e penas de prisão de 3 a 5 anos, incluindo a possibilidade de aplicar a pena de morte. </p> <p>euronews – Pensa que o governo egípcio agitou o machado de guerra com a atribuição da classificação de terrorista à Irmandade Muçulmana?</p> <p>Khaled Okacha – O governo tomou a decisão de designar a Irmandade Muçulmana como “grupo terrorista” no calor do momento e com falta de objetividade, em todos os sentidos do termo. Penso ainda que foi o pior momento das forças de segurança.</p>