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Geórgia quer normalizar relação com a Rússia e envia atletas a Sochi

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Geórgia quer normalizar relação com a Rússia e envia atletas a Sochi

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Apesar da ausência de relações diplomáticas com a Rússia em meia década, a Geórgia decidiu participar nos Jogos Olímpicos de Sochi que começam esta sexta-feira.

Um gesto altamente simbólico da ex-república soviética, tendo em conta que o evento decorre numa região cujas fronteiras são disputadas entre os dois países.

O diferendo sobre as províncias da Abecázia e da Ossétia do Sul levou mesmo a uma breve guerra no Verão de 2008. Apenas quatro países reconhecem a soberania russa sobre os dois territórios.

Até 2013, a situação foi sempre muito tensa, mas desde as eleições legislativas desse ano na Geórgia que tem havido um esfoço de aproximação.

O primeiro-ministro eleito, Bidzina Ivanishvili, voltou pouco tempo depois aos negócios e o Parlamento aprovou como sucessor Irakli Gharibashvili, que fez esta semana a sua primeira visita à Comissão Europeia, em Bruxelas.

Em causa está o processo com vista à assinatura, no Verão, de um Acordo de Associação União Europeia-Geórgia, tendo depois o governante deslocado-se aos estúdios da euronews para uma entrevista com a correspondente Natalia Richardson-Vikulina.

Natalia Richardson-Vikulina/euronews (NRV/euronews):“A Geórgia está de facto empenhada em normalizar as relações com a Rússia?”

Irakli Garibashvili/primeiro ministro da Geórgia (IG/PM Geórgia): “Desde as eleições lesgislativas em 2012 que temos feito o máximo possível para normalizar as relações com a Rússia. Foi isso que recomendaram a União Europeia, os Estados Unidos da Améerica e outros países parceiros e amigos. O anterior governo da Geórgia tinha uma posição muito radical em relação à Rússia, mas nós mudámos essa retórica, essa abordagem radical. Gradualmente, a Rússia também começou a abrir o seu mercado para os produtos da Geórgi como o vinho, a agua e outros produtos. Também foram melhorados os contactos entre as populações e as vias de transporte de comunicação. Mas, ao mesmo tempo, enfrentámos uma série de provocações que vêm do lado russo da linha de fronteira. Como sabe, os russos estão a renovar a linha de fronteira, tendo instalado 45 km de cercas, arame farpado e barreiras artificiais que criaram uma série de complicações aos nossos cidadãos nessa zona, dentro do nosso próprio território”.

NRV/euronews: “Disse que a questão dos território ocupados continua aser uma uma questão fundemental para a Geórgia. Espera que a Rússia faça algum tipo de concessão?”

IG/PM Geórgia: “Esse é o maior problema entre os dois países. Em primeiro lugar, não temos relações diplomáticas desde a guerra de 2008 e as regiões ocupadas permanecem a nossa maior preocupação. É um algo para o qual temos de encontrar uma solução e que passa pela desocupação dos nossos territórios. Queremos viver em paz com os nossos irmãos da Abecázia e da Ossétia do Sul, partilhando com eles os benefícios de um futuro melhor para o nosso país”.

NRV/euronews: “No ano passado, o seu antecessor, Bidzina Ivanishvili, disse que atletas georgianos participariam dos Jogos Olímpicos de Sochi. Mas há alguns meses, o governo georgiano disse que tinha dúvidas sobre o assunto. Qual é a situação?”

IG/PM Geórgia: “Tomámos a decisão de deixar os atletas georgianos participar nos Jogos Olímpicos. Foi uma decisão muito difícil porque os Olímpicos de Sochi realizam-se junto ao território georgiano, na região ocupada Abcásia. E uma vez que não temos relações diplomáticas com a Rússia, esta foi uma decisão difícil de tomar. No entanto, considerámos que se deve separar o desporto da política e que os nossos atletas devem participar nos jogos”.

NRV/euronews: “O senhor estará presente?”

IG/PM Geórgia: “Não, nenhum funcionário governamental estará presente, apenas os atletas e as pessoas ligadas ao desporto”.