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Letónia: vantagens e desvantagens da adesão ao Euro

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Letónia: vantagens e desvantagens da adesão ao Euro

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Dedicamos esta edição de Real Economy ao décimo oitavo e mais recente membro da Zona Euro.

A Letónia sofreu as consequências da crise, mas é o país europeu que está a reagir mais rapidamente. O produto nacional bruto está a crescer confortavelmente acima da média. O índice de desemprego, que atingiu niveis alarmantes, caiu cerca dee cinco pontos no espaço de um ano, confirmando a viabilidade da economia letã.

Quisemos perceber como serve a moeda única a 333 milhões de europeus habitantes deste país Báltico. Em particular, interessa-nos saber porque razão países como este estão ainda interessados em aderir ao clube do Euro, apesar da crise dos últimos anos.

A equipa da euronews foi até à Letónia, onde falou com politicos, empresários e consumidores. Entre as pessoas que ouvimos, está o ex-primeiro ministro do país, considerado o arquiteto da adesão ao Euro, Valdis Dombrovskis. Para analisar também os critérios de convergência fomos até à vizinha Estónia, para fazer o balanço da adesão daquele país ao Euro.

Antes de aderir à moeda única, a Letónia manteve alguns anos a indexação do lats, a moeda nacional, ao Euro. Para tornar claro este processo, esta edição de Real Economy explica-lhe o que é exatamente a indexação da taxa de câmbio. E damos a voz aos empresários e os consumidores da Letónia, para saber que significa para eles esta transição.

Segundo Gundars Strautmanis, Presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Letónia, “Se quando a crise começou nós estivessemos já na Zona Euro, penso que a crise não nos teria sido tão pesada como foi sem o Euro”.

De acordo com o ex-primeiro ministro letão Valdis Dombrovskis, uma das tarefas que o governo enfrentou durante a crise económica e financeira, entre 2008 e 2009, foi assegurar que a recuperação em curso fosse sustentável “para que não acontecesse construirmos outra bolha financeira”.

“A recuperação fundamentou-se essencialmente na produção industrial, em especial a produção industrial orientada para a exportação e não na especulaçao imobiliária, como aconteceu antes da crise”, explicou Dombrovskis, acrescentando que “Aquilo que estava antes errado com a Zona Euro, era que durante quase uma década havia a liberdade de não cumprir os critérios de Maastricht”.

O político letão sublinhou que foi realizado um enorme trabalho de ajustamento. “Resumindo, realizámos 17% do ajuste fiscal do PIB. Aproximadamente um terço disto vem do aumento de impostos e dois terços de cortes nas despesas. E – por exemplo – o nosso défice orçamental para este ano está abaixo de 1% do PIB”.

A Estónia viu o seu PIB aumentar 9,6% en 2011, sobretudo em consequência de um forte crescimento das exportações para outros países da União Europeia. Três anos depois da adesão ao Euro, 80 % da economia estoniana está concentrada na Europa e mais de 40% só na Zona Euro.

A entrada da Letónia vizinha na Zona Euro deveria fazer aumentar mais ainda este envolvimento europeu. Uma opinião defendida por Jürgen Ligi, responsável pela pasta das Finanças da Estónia: “A Letónia é um dos nossos maiores parceiros comerciais e a a Estónia foi durante muitos anos, para a Letónia, o maior investidor externo. Passarmos a ter a mesma moeda, torna as nossas relações ainda mais fáceis e melhores.”

90 % da economia da Estónia está ligada às exportações, que duplicaram desde 2005, reforçando ainda mais a boa imagem do Euro.

Dois terços das empresas estonianas de produção consideram que adoção do Euro teve um efeito positivo. As previsões de crescimento são otimistas. A Estónia está a tornar-se a fábrica do Báltico, os preços médios são no país 37% mais baixos que na vizinha Finlândia.