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"Reagimos tarde demais": A realidade da UE segundo Van Rompuy

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"Reagimos tarde demais": A realidade da UE segundo Van Rompuy

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Ele está no centro da tomada de decisões, estabelecendo pontes entre países cada vez mais reticentes e eurocéticos, naquele que é um dos mais conturbados períodos na história recente da União Europeia. Nesta edição de Global Conversation, recebemos o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

À ascensão da extrema-direita no Parlamento Europeu, liderada pela francesa Marine Le Pen, Rompuy opta por relativizar: “Continua a haver uma esmagadora maioria de deputados a favor do projeto europeu. (…) O populismo já existia muito antes da crise financeira, antes da crise na zona euro. Vou dar-lhe um exemplo… Há dez anos, o pai de Marine Le Pen ficou em segundo nas eleições presidenciais francesas, atrás de Jacques Chirac. Na altura, nada disto tinha relação com a Europa, com a crise da zona euro. Mas na altura, 19% dos eleitores votaram na extrema-direita. O populismo faz parte da vida política. É claro que isto está a ser sublinhado pela crise da zona euro e pela crise financeira.”

No que diz respeito à elencagem dos pontos negativos do seu mandato, cuja prioridade anunciada era o combate ao desemprego, o presidente do Conselho Europeu declara que “houve seguramente erros na UE (…), houve alturas em que reagimos tarde demais. Mas qual é o resultado? O resultado é que conseguimos afastar a ameaça existencial que pairava sobre o euro. (…) Há cerca de um ano e meio, os mercados financeiros estavam convencidos de que o euro ia cair. A única dúvida era quando é que ia acontecer. Mas que ia haver um colapso, isso era certo. Esse debate está agora completamente ultrapassado nos media e nos mercados internacionais. Mesmo em países como a França ou a Grécia, existe uma grande maioria de pessoas que pretende continuar na União e no euro.”

A clivagem presente sobre a nomeação do próximo presidente da Comissão Europeia não merece grandes comentários por parte de Rompuy: “Estamos a viver uma nova situação. Vou manter-me discreto durante as próximas semanas e não fazer declarações que possam complicar uma situação que já é complicada.”