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Ébola: Epidemia fora de controlo

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Ébola: Epidemia fora de controlo

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A comunidade científica internacional está mobilizada para combater a epidemia do Ébola. Cerca de duas centenas de cientistas reuniram-se em Genebra, na Suíça, para tentar encontrar uma solução para conter o surto do vírus, na África Ocidental.

A Organização Mundial de Saúde pediu aos investigadores que avaliem e desenvolvam oito tratamentos e duas vacinas experimentais contra o vírus Ébola.

Até agora, os métodos terapêuticos existentes, estão em fase experimental e não foram ainda aprovados para utilização generalizada.

A OMS, no balanço desta semana da febre hemorrágica, anunciou que já foram registados mais de 1900 mortos, entre 3500 casos confirmados ou prováveis. Um claro aumento em relação aos números da semana anterior que davam conta de 1552 mortos em 3069 casos.

Os países da África Ocidental pedem ajuda. Os sistemas de saúde não estão preparados para enfrentar uma epidemia desta ordem. Faltam instalações adequadas, medicamentos e pessoal médico especializado. A epidemia do Ébola causou, já, 120 mortes entre os profissionais de saúde.

A situação está a descontrolar-se. Na segunda-feira, um paciente infetado com o vírus fugiu de um hospital de Monróvia, a capital da Libéria, onde estava em quarentena.

Os países onde o surto é mais intenso são: a Libéria, a Guiné Conacri e a Serra Leoa. Registaram-se, ainda, casos isolados de Ébola na Nigéria, República Democrática do Congo e no Senegal.

A União Africana vai reunir-se de emergência, na próxima segunda-feira, para definir uma estratégica continental de combate à epidemia. A organização disse, ainda, que os Estados membros estão preocupados que o encerramento de fronteiras e suspensão de serviços aéreos, determinados por alguns países africanos, aumentem o sofrimento já causado pelo Ébola.

Edward Wright, da Universidade de Westminster é especialista no Ébola. Estes especialistas estão reunidos em Genebra, e há relatórios a dizer que o ritmo de infeção está a acelerar. Esta conferência não acontece um pouco tarde?

Edward Wright: “Certamente que não é tarde demais. Quaisquer medidas adicionais que possam ser postas em prática para limitar a propagação do vírus e as causas da doença, é óbvio que algo de bom vai sair desta conferência. Deve-se dizer, no entanto, que este é um surto sem precedentes. O número de mortes causadas por este vírus mais do que duplicou deste que foi identificado, pela primeira vez, há 40 anos. Não tivemos, antes, de lidar com um surto destes. Estamos todos, enquanto cientistas, clínicos, médicos e especialistas em saúde pública, a aprender a lidar com este surto e estamos a tentar o nosso melhor para controlar a doença.”

e: Está muito preocupado, enquanto cientista, com esta crise, como diz, sem precedentes?

EW: “Quando coloca isso no mesmo contexto de outras doenças como a malária, que mata 800 mil pessoas por ano, o VIH – Sida, que mata 1,6 milhões de pessoas a cada ano, realmente, percebemos que devemos ter este vírus em conta e, é óbvio, que é uma doença devastadora. Mas estratégias simples de intervenção e de controlo da infeção podem dominar a propagação da infeção.”

e: Quais são os riscos envolvidos nas vacinas de procedimento rápido? Vale a pena tomá-las, neste caso?

EW: “Todas as vacinas, todos os medicamentos que aparecem no mercado, e que são usados no tratamento de infeções e doenças humanas, passam por um processo de regulação estritamente controlado. Agora, no caso de uma emergência de saúde pública, como a que estamos a enfrentar como este vírus Ébola, às vezes implementamos as chamadas vacinas de procedimento rápido, de medicamentos e vacinas que estão a ser desenvolvidas há anos. Já sabemos muito sobre esses medicamentos e vacinas antivirais que podem ser usados ​​para julgar a rapidez com que podemos utilizá-las em testes humanos.”

e: Conhece o tratamento que foi administrado no enfermeiro britânico que acaba de ter alta, depois de contrair o Ébola… O que nos pode dizer sobre o tratamento dele e o quão eficaz foi?

EW: “Cinquenta por cento das pessoas, em África, que contraíram esta doença sobreviveram devido à reidratação básica e a medidas de cuidados paliativos e de suporte. O paciente britânico, William Pooley, que teve recentemente alta do Royal Free Hospital, em Londres, recebeu este chamado soro secreto, que é um ‘cocktail’ de anticorpos que têm como alvo o vírus. No atual surto, sete pessoas receberam este tratamento, cinco sobreviveram e duas não resistiram à infeção. Mas como mencionei, estamos a ter uma taxa de sobrevivência de cinquenta por cento de pessoas que não recebem este tratamento, por isso ainda é, uma questão que está aberta a discussão… Qual é a eficácia deste tratamento de mapa-z, ou destas possíveis vacinas que estão a ser desenvolvidas.”