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EUA: "Não consigo respirar" torna-se grito de revolta contra a polícia pela morte de Eric Gardner

Os protestos da comunidade negra dos Estados Unidos contra a alegada ação abusiva das forças de segurança americanas intensificaram-se nas últimas

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EUA: "Não consigo respirar" torna-se grito de revolta contra a polícia pela morte de Eric Gardner

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Os protestos da comunidade negra dos Estados Unidos contra a alegada ação abusiva das forças de segurança americanas intensificaram-se nas últimas horas, após a absolvição do polícia Daniel Pantaleo. O agente de autoridade, de origem caucasiana, era suspeito de ter provocado, em julho passado, a morte, por estrangulamento, do cidadão negro Eric Gardner, de 43 anos, em Staten Island, no Estado de Nova Iorque.

A vítima terá sido apanhada a vender cigarros ilegais e uma equipa policial tentou detê-lo. Perante a resistência do possante Eric em ser algemado, os agentes de autoridade terão recorrido à força conjunta para o derrubar e um deles – presume-se, Daniel Pantaleo – terá agarrado o suspeito pelo pescoço na tentativa de o dominar.

Asmática, a vítima rapidamente começou a revelar dificuldade em respirar. “I can’t breathe” (“Não consigo respirar”, em português), terão sido as últimas palavras proferidas repetidamente por Eric Gardner, a 17 de julho, após a agressiva investida policial. A autópsia viria a revelar que a vítima sucumbiu devido à “compressão do pescoço e do peito contra o chão.”

O confronto fatal foi filmado por testemunhas, mas nem mesmo com as imagens e o áudio do registo o Grande Júri de Nova Iorque entendeu haver “causa provável” para acusar o agente de autoridade de qualquer responsabilidade na morte de Eric Gardner.

“É completamente errado. Ele [o polícia] é um assassino. Isto foi um assassinato a sangue frio. Não fomos nós que o dissemos, foi o cardeal: um assassinato a sangue frio. É isso. Foi um homicídio. Um homicídio”, gritou Jenny Chambers, uma residente de Staten Island revoltada pela decisão judicial.

James Reynolds, outro residente deste distrito de Nova Iorque, levantou algumas questões: “Matar aquele homem aqui, por causa de um mero cigarro de 50 cêntimos, sufocá-lo ao ponto dele dizer que não conseguia respirar… Há um vídeo e existe o áudio. Não há condenação? De que mais precisam?”

A frase “I can’t breathe” (“Não consigo respirar”) tornou-se lema destes novos protestos contra o alegado abuso de autoridade cometido pelas forças de segurança norte-americanas. Após a decisão do Grande Júri nova-iorquino, milhares de pessoas saíram para as ruas em várias cidades americanas para protestar contra a decisão. Pelo menos, 30 terão sido detidas pelas forças policiais, que viriam mais tarde a recusar atualizar essas informações.

Logo após a absolvição do polícia, a mãe de Gardner deu uma conferência de imprensa a criticar a justiça americana e, por outro lado, a elogiar a intenção do governo de Barack Obama em abrir uma nova investigação a este caso, que vem juntar-se ao de Michael Brown, outro cidadão americano negro morto após uma ação policial na cidade de Ferguson.

Este outro caso espoletou vários motins da comunidade negra de St. Louis depois da recusa do Grande Júri do Missouri em acusar o agente, também ele branco, que teria, a 9 de agosto, abatido a tiro um desarmado jovem negro, de 18 anos.