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Exclusivo: armas eslovacas em ataques terroristas de Paris

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Exclusivo: armas eslovacas em ataques terroristas de Paris

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A polícia francesa está a investigar uma possível pista eslovaca sobre a origem das armas usadas pelos irmãos Kouachi e Amédy Coulibaly durante os ataques em Paris, de acordo com a informação revelada por uma investigação da euronews em parceria com os eslovacos do jornal Nový cas.

De acordo com os Media francesa, os assassinos teriam comprado parte do arsenal na Bélgica, a um traficante de armas que se entregou à polícia.
Mas várias fontes indicam que outras armas vieram diretamente da Eslováquia.

Pouco depois da morte de Amédy Coulibaly, Sharif Said e Kouachi, a 9 de janeiro, a polícia francesa contactou a polícia eslovaca, de acordo Nový CAS citando informações de uma fonte da polícia altamente colocada. Os investigadores franceses de facto, procuraram a ajuda dos agentes eslovacos para identificarem os números de série de sete armas específicas.

A pista eslovaca tinha sido mencionado pelo Express, num artigo datado de 21 de janeiro, “Os investigadores franceses sugerem a hipótese de armas” desmilitarizada ou neutralizadas”, mas recondicionadas para funcionarem de novo. A origem estrangeira coincide sempre com a origem eslovaca.

Estamos agora em condições de encontrar a origem desta fileira.

Os agentes policiais eslovacos puderam encontrar, graças aos números de série de armamento, a pista das sete armas compradas. Foram ao local e descobriram nos registos da loja, que todas as armas foram vendidas legalmente A mesma fonte policial referiu que as armas foram vendidas como estavam, neutralizadas, com as quais se poderia atirar, apenas, cartuchos em branco.

Estas armas são, originalmente, as armas reais letais neutralizados mecanicamente. Normalmente são usadas como assessórios no cinema ou em reconstituições históricas.

Na Eslováquia, este tipo de arma está disponível livremente, até mesmo as maiores metralhadoras, para qualquer pessoa com mais de 18 anos. Nenhuma licença é obrigatória; para comprar, uma identificação simples é suficiente.

Quando se soube que a visita da polícia à loja de armamento estava ligada aos crimes de Paris, os nossos parceiros do Nový čas também foram ao local, na Eslováquia ocidental, para falar com o gerente.

Conseguiram a conformação de que a polícia lá tinha estado, mas mais nada, pois tiveram de assinar um documento de sigilo.

O que é um facto é que, legalmente, estas armas são acessíveis e facilmente convertíveis.

Uma grande variedade de armas está disponível nesta loja; no seu site a seleção ainda é mais rica:

Roupas de combate, redes de camuflagem e caixas de munições, mas também diferentes versões das armas de fogo que os terroristas usaram para matar 17 pessoas entre 7 e 9 de janeiro, em Paris: AK-47, pistolas Tokarev, metralhadoras Scorpion ou mesmo a versão doméstica compacta do VZ 58, como a de Coulibaly, que foi exibida num vídeo divulgado depois da sua morte.

No vídeo, transmitido nos sites jihadistas, um dia depois do atentado no hipermercadojudeu, Vincennes Coulibaly afirma à polícia que jurou lealdade ao grupo conhecido como Estado Islâmico.

Para demonstrar a facilidade com que as armas estão disponíveis na Eslováquia, o nosso camarada de trabalho Nový CA adquiriu uma dessas armas: levou apenas cinco minutos, mostrou o bilhete de identidade, pagou 250 € e comprou uma versão neutralizada de um VZ58, carabina de assalto com coronha que se recolhe.

Aqui se representa a compra.

Devido à técnica particular de neutralização utilizada na Eslováquia, é muito fácil reverter o processo, mesmo que seja estritamente ilegal, diz o especialista em armas Ľudovít Miklanek aos nossos parceiros, numa entrevista.

De acordo com este membro da Associação Legis Telum para a defesa dos direitos dos utilizadores das armas de fogo na Eslováquia, o método checo é mais difícil de contornar que o eslovaco.

Com o método checo, é impossível carregar balas reais sem modificar de novo a arma, o que exige duras etapas técnicas , como a mudança do canhão. Além de que uma arma checa pode explodir em caso de utilização de armas reais.

Com o sistema eslovaco, uma conversão leva apenas uma hora, talvez duas, segundo o tipo de arma e equipamento de que se dispõe, explica Miklánek. Os estrangeiros descobriram este princípio e começaram a utilizar as nossas armas, que surgem em países como Espanha e França, pois estamos todos no espaço Schengen.

Silêncio rádio das autoridades francesas

O tema é muito sensível e a investigação está em curso; as autoridades não querem falar demais.

O ministério do Interior eslovaco não desmentiu a colaboração em curso com a polícia francesa. Um porta-voz explicou aos companheiros do Nový čas que o ministro “trabalha com os parceiros no estrangeiro para examinar os diversos indícios e dossiers que podem estar ligados aos ataques terroristas” mas recusou mais pormenores.

O porta-voz também afirmou que está em curso o processo de consulta interna do governo para alterar a legistação sobre as armas, mas não forneceu nenhum calendário para o processo assim como uma data para o voto.

A UE fez saber que não está preparada para responder aos riscos potenciais de reativação de armas de fogo.

Certamente há milhares de armas destas em circulação na Europa.

As instituições europeias estão plenamente conscientes do problema. “As forças de segurança da União Europeia estão preocupados com o facto de que as armas desativadas sejam reativadas e vendidas ilegalmente para fins criminosos assim como as pistolas de alarme e outras, espingardas também, sejam convertidas em armas letais ilegais “indica um documento da Comissão Europeia sobre armas de fogo e de segurança interna na UE remonta a 2013.

No entanto, não existem regras comuns a nível europeu, seja sobre a questão. O documento de 2013, só sugere que “a Comissão sugere orientações comuns sobre as normas para garantir que as armas de fogo desativadas assim se mantenham”. O que não é o caso na Eslováquia.

A avaliação da directiva Armas de Fogo de 2008, publicado em Dezembro de 2014, um mês antes dos atentados em Paris, destaca a falta de normas comuns.

“A falta de clareza da Directiva […] deixou espaço para interpretações nacionais e, em alguns casos, resultou em problemas de segurança”, diz o relatório.