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Quénia revela que um dos assassinos de Garissa era diplomado em Direito

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Quénia revela que um dos assassinos de Garissa era diplomado em Direito

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O governo do Quénia revelou este domingo já ter identificado um dos quatro militantes do grupo radical islâmico Al-Shabab que na quinta-feira invadiram o “campus” da universidade de Garissa, no leste do país, e mataram mais de 140 estudantes.

Trata-se de Abdirahim Mohamed Abdullahi, um muçulmano diplomado com um bacharel em Direito pela Universidade de Nairobi, filho de Abdullahi Daqara, um oficial do governo regional Bulla Jamhuri, no condado de Mandera, no extremo noroeste do Quénia, junto à fronteira com a Somália.

O porta-voz do Ministério do Interior queniano, Mwenda Njoka, contou que o pai de Abdullahi havia “alertado as autoridades de que o seu filho tinha desaparecido e que suspeitava que tivesse ido para a Somália”. O jovem estaria desaparecido desde 2013.

A página de internet News Kenya falou com um alegado antigo professor de inglês de Abdullahi na Wamy, uma das melhores escolas privadas do país. “Eu dei-lhe aulas. Era um amigo chegado antes de se radicalizar”, disse o professor.

A mesma fonte garante ter falado com alguns antigos colegas do “jihadista” morto. “Ele era muito esperto e inteligente. Sabia que ele se tinha juntado ao Al-Shabab, mas não esperava que ele assassinasse aquelas inocentes vidas”, referiu um dos supostos colegas. Outro lembrou que Abdullahi “costumava ser humilde e inofensivo”. Um alegado colega universitário recordou que o assasino de Garissa já identificado “parecia estar sempre ocupado com os seus livros de Direito.”


A página News Kenya escreve ainda que Abdirahim Abdullahi pertence ao clã Degodia. O jovem teria o objetivo de se juntar ao grupo radical Estado Islâmico (ISIL, na sigla inglesa), na Síria, quando desapareceu em 2013, mas por não ter passaporte terá optado por cruzar a fronteira para a Somália e integrar o Al-Shabab.

O alegado melhor amigo de Abdullahi, identificado como Mohamed “Atom”, terá conseguido voar para a Turquia e atravessar a fronteira para a Síria para se juntar ao ISIL.

Um terceiro amigo chegado de Abdullahi, identificado como Khalid e conhecido como “Calypso”, terá integrado ao mesmo tempo o Al-Shabab.

Autoridades continuam a investigar o atentado de Garissa

As autoridades quenianas continuam, entretanto, a tentar identificar os cadáveres dos outros três militantes do Al-Shabab igualmente mortos após atacarem a universidade, separarem os estudantes islâmicos dos cristãos e executarem uma boa parte destes últimos.

O ataque de quinta-feira, que terá sido orquestrado por um antigo professor no ensino do livro do Corão em Garissa, Mohamed Mohamud, deixou pelo menos 152 pessoas mortas, incluindo os quatro executantes do plano reivindicado pelo grupo Al-Shabab. Três polícias e três militares quenianos também morreram, mas a larga maioria das vítimas – 142 – eram estudantes da universidade.

Este foi o mais mortífero atentado no Quénia desde o ataque à embaixada dos Estados Unidos, em 1988, que fez 213 mortos. O grupo radical islâmico Al-Shabab justificou este ataque à universidade de Garissa como represália pela intervenção de militares quenianos contra a atividade do grupo extremista no território da Somália. A organização terrorista africana ameaça continuar os ataques contra nigerianos enquanto se mantiver esta presença na Somália.