Última hora

Última hora

Primeiro-ministro grego estende a mão a Putin

O primeiro-ministro grego aterrou esta noite em Moscovo, horas antes de reunir-se com o presidente russo, Vladimir Putin, para reforçar a cooperação

Em leitura:

Primeiro-ministro grego estende a mão a Putin

Tamanho do texto Aa Aa

O primeiro-ministro grego aterrou esta noite em Moscovo, horas antes de reunir-se com o presidente russo, Vladimir Putin, para reforçar a cooperação económica entre os dois países.

Um encontro que levanta várias dúvidas em Bruxelas, num momento em que o executivo grego tenta renegociar o pagamento da dívida do país com o eurogrupo.

A Comissão Europeia relativizou ontem o impacto da reunião, que ocorre também num momento em que a UE mantém sanções contra Moscovo no contexto da crise ucraniana.

Segundo o analista grego George Tzogopoulos, “a Grécia não quer provocar a União Europeia mas pode estar a tentar aumentar a pressão sobre Bruxelas, ao mostrar que pode beneficiar de alternativas, ainda que teóricas, para financiar a economia do país”.

O ministro das Finanças russo garantiu na terça-feira que a Grécia não pediu ajuda económica a Moscovo, mas sem excluir a possibilidade das autoridades russas acordarem alguns empréstimos a Atenas em projetos específicos ao nível da gestão dos portos ou da rede ferroviária grega.

Um habitante da capital apoia a iniciativa de Tsipras, “penso que está a agir de forma correta, pois precisa de obter apoio do outro lado do Atlântico, da China, da Rússia e de outros países. Quando a senhora Merkel faz o mesmo ninguém a critica. É preciso pôr a funcionar o multilateralismo”.

Segundo algumas fontes, Putin estaria disposto a selar a nova cooperação com Tsipras com dois gestos de peso: o levantamento das sanções sobre as importações europeias para os produtos agrícolas gregos e uma redução do preço do gás, habitualmente acordada aos aliados mais próximos e estratégicos de Vladimir Putin.

Apesar da inquietação de Bruxelas, o governo grego garantiu já que não vai romper a unidade europeia, em torno das sanções contra Moscovo e do não reconhecimento da anexação da Crimeia.

Mas, segundo a imprensa grega, Vladimir Putin poderia aproveitar as discussões para obter o apoio de Tsipras à construção de um gasoduto alternativo entre a Rússia e o sul e leste da Europa, via a Turquia e a Grécia, desafiando a intenção expressa da UE de reduzir a dependência do gás russo.