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Polícia italiana detém mais "facilitadores" de migração ilegal no Mediterrâneo

Três sírios pilotavam um iate com quase uma centena de clandestinos a bordo, a troco de 8.500 euros a viagem, com desconto para crianças

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Polícia italiana detém mais "facilitadores" de migração ilegal no Mediterrâneo

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Depois do capitão e de um ajudante, que faziam parte da tripulação do barco naufragado sábado à noite com mais de 800 migrantes ilegais a bordo, a polícia italiana deteve mais três sírios sob acusação de também eles serem “facilitadores”, termo aplicado aos traficantes que organizam e gerem as travessias clandestinas do Mediterrâneo de pessoas em busca de uma vida melhor na Europa.

Os três sírios, com idades entre os 25 e os 31 anos, foram presos pela polícia de Ragusa, uma localidade costeira no sul da Sicília, quando pilotavam um iate com 99 migrantes ilegais a bordo, incluindo 23 crianças. O barco sofreu uma avaria no motor e foi socorrido por um navio mercante de nome “Sagittario.”

O curioso desta recente história é que, ao contrário dos velhos barcos de madeira utilizados na maioria destas travessias clandestinas, aqui a embarcação era um iate de 25 metros. A bordo havia comida suficiente para todos e, de acordo com a polícia, a tripulação do iate era experiente e garantiu a devida segurança aos viajantes.

As melhores condições seriam reflexo do alto preço que terão pago os passageiros deste iate: alegadamente cerca de 8.500 euros cada, com descontos para as crianças, em troca da promessa de conseguirem entrar em Itália como meros turistas. Os “facilitadores” foram identificados pelo testemunho de alguns dos passageiros, que haviam sido levados para Pozzallo. Os migrantes ilegais eram, na sua maioria, famílias sírias e palestinianas em fuga de zonas em conflito.

Capitão acusado de “múltiplo homicídio”

Quanto ao capitão e ao ajudante do barco naufragado sábado, trata-se respetivamente do tunisino Mohammed Ali Malek, de 27 anos, e do sírio Mahmud Bikhit, de 25.

De início, testemunhos recolhidos entre os sobreviventes apontavam para a responsabilidade do naufrágio ser do cargueiro de bandeira portuguesa que terá ido em socorro do barco. Os relatos garantiam que o cargueiro teria colidido com o barco e provocado o naufrágio. Esta teoria foi já descartada pelas autoridades italianas, que imputaram todas as responsabilidades ao capitão pelo acidente e a suposta morte de mais de 800 migrantes ilegais.

“Prendemos duas pessoas. São dois presumíveis traficantes, que faziam parte da tripulação: o capitão do barco naufragado e um outro tripulante. Os crimes de que é acusado o capitão incluem a facilitação da migração clandestina, a responsabilidade do naufrágio e múltiplo homicídio. O membro da tripulação é acusado de facilitar a migração clandestina”, revelou Rocco Liguori, da Procuradoria de Catânia.