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Burundi a ferver por causa da recandidatura do Presidente Nkurunziza

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Burundi a ferver por causa da recandidatura do Presidente Nkurunziza

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A situação no Burundi continua a agravar-se depois da decisão anunciada sábado pelo atual presidente Pierre Nkutunziza de pretender recandidatar-se para um terceiro mandato à frente do país. A oposição acusa-o de estar a ir contra a Constituição.

Centenas de pessoas foram mesmo para as ruas protestar contra a decisão do atual Presidente. As manifestações começaram no domingo e continuam. A polícia interveio, foram levantadas barricadas pelos manifestantes e o som de tiros são uma constante, desconhecendo, para já, se há munições reais a ser utilizadas. Algumas organizações humanitárias garantem que mais de 20 mil pessoas já fugiram do país.

Com a experiência do sucedido durante a guerra civil no Burundi, entre 1993 e 2006, organizações humanitárias receiam que estes confrontos possam degenerar num conflito étnico entre “hutis” e “tutsis”, há imagem do que aconteceu há 20 anos, no vizinho Ruanda.

Agathon Rwasa, líder do FNN, o principal partido da oposição, pede respeito pela Constituição. “O direito de se protestar e de se manifestar é reconhecido pela Constituição. Os que se estão a manifestar, estão a protestar contra a aniquilação da Constituição ocorrida no último sábado pelo próprio presidente Nkurunziza e o seu partido. Nós não podemos aceitar que este país seja governado pelos desejos e a vontade do CNDD-FDD”, avisou Rwasa.

No poder desde 2005, Pierre Nkurunziza, foi designado no sábado candidato do CNDD-FDD para as presidências de 26 de junho. Para a oposição, a decisão viola a Constituição do Burundi, votada em referendo em 2005 e que apenas permite a cada Presidente ser eleito para um mandato de cinco anos renovável uma única vez.

A oposição salienta que a decisão viola ainda os denominados “Acordos de Arusha para a Paz e a Reconciliação no Burundí”, acordados há 15 anos e ratificados em 2003, enquanto Acordo Global de Cessar-fogo.

O partido no poder discorda e lembra que o primeiro mandato de Nkurunziza foi por nomeação e não eleição, por isso não conta.