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Um húngaro no exército da Ucrânia

Peter Filipovics faz parte da minoria húngara que combateu pelo exército ucraniano na batalha de Debalteseve. Vive do outro lado da Ucrânia, na região da Transcarpátia, junto à fronteira com a Eslováq

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Um húngaro no exército da Ucrânia

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Debaltseve caiu definitivamente nas mãos dos separatistas pró-russos no dia 16 de fevereiro de 2015, cinco dias depois da assinatura do segundo acordo de Minsk para um cessar-fogo no leste da Ucrânia. O importante entreposto ferroviário entre Donetsk e Lugansk tinha ficado fora do que foi acordado na Bielorrússia.

Point of view

Esta guerra é como as que vemos nos filmes, mas aqui os tiros são bem reais.

Peter Filipovics faz parte da minoria húngara que combateu pelo exército ucraniano na batalha de Debalteseve. Vive do outro lado da Ucrânia, na região da Transcarpátia, junto à fronteira com a Eslováquia e a Hungria:

“Quando assinaram o segundo acordo de Minsk foi quando começamos a ser fortemente bombardeados. Foi aí que começou o que chamaram de ‘reconquista de Debaltseve’. Nessa altura sentimos bem no terreno a (pouca) importância que davam ao compromisso assumido nos acordos de Minsk”.

Uzghorod, a capital regional da Transcarpátia, já foi uma cidade húngara. Os habitantes dizem que ucranianos, húngaros, eslovacos, russos e alemães vivem aqui em paz e no respeito pela cultura e religião de cada um.

Hoje, Uzghorod faz fronteira com a Eslováquia e está a menos de 30 km da Hungria. É uma das portas de entrada na União Europeia e um bom exemplo dos ideais que a Europa defende.

“Ninguém é discriminado por causa da língua materna, especialmente aqui na multicultural Uzghorod. Se existem tensões, são importadas, são forças exteriores que vêm à Transcarpátia”, refere o jornalista Attila Sterr.

Zoltan Brenzovics, o único deputado de origem húngara no parlamento em Kiev, afirma que, apesar da tranquilidade nas ruas, todos sentem que o país está em guerra:

“A guerra afeta tanto a Transcarpátia como qualquer outra região da Ucrânia na medida em que o recrutamento prossegue e que muitas pessoas estão envolvidas nas operações no leste”.

Peter Filipovics regressou recentemente da frente de batalha. Curiosamente, o russo era a língua mais falada na sua unidade, apesar de todos serem ucranianos à exceção dele próprio. Na guerra, o russo parece ser a língua oficial.
Combater pela Ucrânia foi natural para Filipovics, porque é o país onde vive. Também tem ideias claras sobre os objetivos dos seus inimigos:

“Eles precisam de uma via para a Crimeia. Eles precisam da região de Donbass, de Donetsk, de Lugansk. O objetivo principal é ficar com uma ligação terrestre à Crimeia. Eles têm o apoio da Rússia, estou a falar de munições, de armas e de pessoal, não apenas de pão e comida enlatada. E eles não seguem ordens superiores, apenas fazem o que os comandantes das suas unidades dizem, mas não cumprem ordens de ninguém que esteja mais acima na hierarquia”.

E quem está a ajudar a Ucrânia a defender-se? Na maioria, voluntários, afirma Filipovics:

“O governo não ajuda muito. Ajuda, mas não tanto como as pessoas normais, os voluntários. Todas as semanas, os voluntários chegam de autocarro e trazem roupas ou outros bens. Só não trazem munições, mas trazem, por exemplo, câmaras térmicas. Esta guerra é como as que vemos nos filmes, mas aqui os tiros são bem reais”.