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Um carro unplugged


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Um carro unplugged

Em Saragoça há uma equipa que está a desenvolver uma estação peculiar de carregamento de veículos elétricos: não é necessário nenhum cabo.

Lourdes García, Endesa:

“O sistema funciona com bobinas que são colocadas debaixo do alcatrão na estação de carregamento. Trata-se de uma tecnologia indutiva. Esta bobina é alimentada pela rede pública. Quando o veículo estaciona corretamente na estação, estabelece-se uma conexão entre a bobina e o carro e ocorre uma transferência de energia. Este sistema é flexível e modular. Pode-se recarregar carros, carrinhas ou autocarros.”

Os investigadores consideram esta tecnologia mais fácil de usar, mais segura e menos exposta ao vandalismo. O impacto visual é igualmente menor, uma vez que os cabos desaparecem.

José Francisco Sanz Osorio, Centro de Pesquisa dos Recursos Energéticos e do Consumo:

“Nós já desenvolvemos 99 por cento do potencial deste sistema no que à eletrónica diz respeito. Temos o que é necessário para produzir uma estação sem cabos. É na questão das bobinas que há muito trabalho pela frente. Temos de encontrar fabricantes de bobinas interessados neste produto. Mas como estas bobinas são muito inovadoras é difícil encontrar fabricantes.”

A estação está a ser desenvolvida no âmbito de um projeto europeu que pretende facilitar a aceitação social dos veículos elétricos. Os cientistas enfrentam três níveis de desafios técnicos:

Axel Barkow, coordenador do projeto FKA/Unplugged:

“O primeiro é ao nível da comunicação, isto é, como é que se estabelece a comunicação entre o carro e a estação. O segundo é ao nível da transmissão de energia, como é que um carro de 3,7 quilowatts pode ser carregado numa estação de 50 quilowatts. E, por fim, temos o problema do posicionamento, porque é preciso posicionar o veículo corretamente na estação, assim como a bobina no centro da estrutura. Um posicionamento correto é fundamental para que o carregamento seja eficiente.”

Os engenheiros desenvolveram um sistema que vai ajudar os condutores a posicionarem corretamente os carros em cima das bobinas e assim evitar os desperdícios.

Jörg Küfen, FKA:

“Nós estamos agora no ponto de desenvolver um projeto que junta uma câmara e um sistema de identificação por radiofrequência que vai permitir ao condutor posicionar-se corretamente no sistema de carregamento indutivo.”

Mas é necessário continuar a pesquisa para aumentar o potencial e a interoperacionalidade desta estação.

José Francisco Sanz Osorio, Centro de Pesquisa dos Recursos Energéticos e do Consumo:

“Nós estamos a trabalhar numa dada frequência, mas noutros países podem estar a trabalhar com frequências diferentes. Por isso precisamos de harmonizar estas frequências. Também precisamos de harmonizar o tamanho das bobinas, as distâncias das emissões elétricas, para que sistema seja completamente interoperacional.”

Axel Barkow, coordenador do projeto FKA/Unplugged:

“Acredito que os carros possam estar muito perto da produção em série. Creio que num par de anos vamos ver carros equipados com este tipo de tecnologia.

O objetivo final dos cientistas é desenvolver um sistema de carregamento dinâmico, ou seja, que um carro possa estar em carregamento enquanto circula numa autoestrada.

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