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A história sem fim de Calais

Com os olhos postos no Reino Unido, Calais, em França, é a última paragem dos migrantes na longa jornada que esperam terminar no outro lado do

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A história sem fim de Calais

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Com os olhos postos no Reino Unido, Calais, em França, é a última paragem dos migrantes na longa jornada que esperam terminar no outro lado do canal.

Desde 1999, o centro Sangatte, dirigido pela Cruz Vermelha francesa, dava abrigo, assistência e alimentos aos “migrantes”: http://www.lefigaro.fr/actualite-france/2014/09/04/01016-20140904ARTFIG00169-l-afflux-de-migrants-a-calais-retour-sur-15-ans-d-impuissance-publique.php.

Em 2002, sob pressão do Reino Unido, a França decidiu fechar o centro por onde passaram 70 000 migrantes em três anos.

Nicolas Sarkozy:

- É preciso passar a uma nova etapa, o encerramento definitivo, total, do centro de Sangatte. O “fecho”: http://www.migrationpolicy.org/article/sangatte-shutdown-signals-new-anglo-french-cooperation será efetuado no dia 30 de dezembro.

Nicolas Sarkozy, então ministro francês do Interior, alcançou notoriedade política ao conseguir que o Reino Unido desse asilo a 1200 dos 1600 migrantes de sangatte, entretanto, destruído.

Mas os migrantes não desapareceram por milagre com os acordos dos “políticos“http://pontourbe.revues.org/2467; instalaram-se nos campos. O terreno passou a ser conhecido como A Selva, até ser arrasado com buldozers, em 2009. O fluxo de migração continuou.

Nos últimos dois anos, o número de migrantes em trânsito multiplicou-se por quatro, atingindo, em 2015, cerca de 18 200.

Hoje, estão 3000 em Calais.

Nos anos 90, os migrantes que chegavam à Europa sem papeis, diziam ser bósnios ou kosovares, para conseguir o estatuto de refugiados e um possível asilo político. No início da década de 2000, eram mais afegãos e iraquianos. Com a guerra na Síria, a nacionalidade síria passou a ser a chave do abre-te sésamo para os migrantes.

Em Calais, tal como em toda a Europa, as autoridades tentam reforçar a segurança das fronteiras. Os confrontos são cada vez mais frequentes.
O que parece impossível é parar o fluxo de seres humanos desesperados ao ponto de arriscarem a vida pelo sonho de um futuro no Velho Continente.