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As mudanças da indústria energética

Há um ano, o setor global da energia enfrentou momentos de grande incerteza. Os preços do petróleo cairam para metade, pressionados pela oferta

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As mudanças da indústria energética

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Há um ano, o setor global da energia enfrentou momentos de grande incerteza. Os preços do petróleo cairam para metade, pressionados pela oferta execessiva e pela desaceleração da economia chinesa. Este contexto ensombrou a agenda do 10° Fórum Kazenergy, no Cazaquistão.

Quando a capital cazaque começou a organizar este fórum há dez anos, o mercado energético estava em alta. Agora as coisas mudaram : os preços estão mais baixos e a procura caiu. Fomos ver a Astana, como é que os produtores de energia conseguiram sobreviver nestas condições.

Daniel Yergin, uma das autoridades mundiais no setor da energia, estima que vão ser precisos no mínimo quatro anos para que os preços do petróleo voltem a níveis viáveis para os produtores. Todos os orçamentos são feitos na base dos três cenários possíveis: otimista, realista e pessimista.

Para Matthew Sagers, Diretor de Investigação da IHS Energy, é tempo de a indústria energética mudar de atitude.

“Esperamos um declínio muito forte nas despesas, cerca de 30%, ou algo assim. Muitos projetos vão ser adiados porque as companhias não têm dinheiro. Por isso vão tornar-se mais exigentes e mais cuidadosas quanto à forma de gastar o dinheiro”.

Poderá ser esse o caso do Cazaquistão, onde o setor energético contribui para 20 a 30 por cento do PIB, com cerca de 50% das receitas orçamentais e 60% das exportações. Timur Kulibayev, responsável do Kazenergy, acredita que os preços vão subir a médio prazo para valores confortáveis para a indústria, ou seja, os 60 a 80 dólares por barril.

Timur Kulibayev, responsável da associação Kazenergy está confiante:
“Assistimos a um período de caída abrupta dos preços, mas os ciclos de exploração dos campos de petróleo prolongam-se por décadas. Penso que nestes tempos difíceis, o que há a fazer é esperar e se chegarmos aos 30 dólares por barril, provavelmente a oferta global vai também baixar e os preços voltam a subir”

Mas a retoma dos preços pode ser dificultada pelas mudanças no mercado energético. O grupo BP prevê que o crescimento da procura energética caia 1,4 ou 1,5% ao ano daqui até 2035. Gerald Davis, perito em Cenários Energéticos Mundiais, vê muitos sinais de que estamos a assistir a mudanças fundamentais na indústria energética.

“É provavelemente um clima em que a procura é mais baixa do que esperámos. Quando se olha para o impacto das novas regulamentações, que encorajam as energias solar e heólica, que vão afetar particularmente a indústria elétrica; quando se olha para as dificuldades económicas numa parte do mundo.. A China está a avançar para um caminho que vai abrandar o crescimento. A China é um vasto país e ainda vai precisar de quantidades enormes de energia, mas o mercado do petróleo tem tendência a trabalhar com base na comparação entre a realidade e as expetativas de como vai evoluir o mundo”.

As indústrias do petróleo e do gás enfrentam grandes mudanças e têm que adaptar-se a esta nova realidade. Muitos analistas acreditam que o preço do petróleo, provavelmente nunca mais voltará aos 100 dólares por barril.