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As competências dos europeus correspondem ao mercado de trabalho?


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As competências dos europeus correspondem ao mercado de trabalho?

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A população europeia está a envelhecer. Menos jovens significa uma força de trabalho mais reduzida no futuro a suportar todo o tecido social. Daí a importância de criar um sistema sustentável. Vamos ver quais são as competências mais procuradas hoje em dia e em que direção estão as coisas a evoluir, tendo em conta o crescimento económico, a idade e as especificidades regionais.

Uma breve estória sobre o desemprego na Europa

Imaginemos três personagens: a Catarina, o Marco e o Pedro, que estão entre os milhões de desempregados que existem na Europa. Mas a verdade é que há também milhões de postos de trabalho por preencher, uma vez que quase metade dos empregadores considera que falta pessoal qualificado no atual mercado laboral.

O Marco e o Pedro têm poucos conhecimentos do mundo digital. Para eles, o risco de desemprego a longo prazo é mais agravado. Calcula-se que, até 2020, 90% de todos os empregos necessitem de competências digitais.

Até 2025, a maioria dos postos de trabalho vai exigir qualificações superiores – a Catarina vai ter mais hipóteses porque fez um mestrado em Biotecnologia.

O Marco é canalizador – a procura por trabalhadores especializados com formação técnica também vai ser significativa.

Tal como outros 5 milhões de europeus, o Pedro deixou a escola prematuramente. Hoje em dia, 40% deles encontra-se sem emprego e as perspetivas não lhes são muito sorridentes.

Regressar ao mercado de trabalho

Recentemente, contavam-se 12 milhões de pessoas desempregadas há mais de um ano na Europa. Os homens representam a maior fatia entre vários desempregados altamente qualificados. Para combater a falta de trabalho a longo prazo, o Fundo Social Europeu e o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional estão a mobilizar esforços. No entanto, não basta haver apoios públicos para reintegrar as pessoas no mercado laboral – é necessário apelar ao setor privado.

Dublin, Irlanda. Há muito que Ronan, de 34 anos, tentava esquivar-se das estatísticas do desemprego a longo prazo. Licenciou-se em Direito, trabalhou durante algum tempo. Mas a crise atirou-o para o desemprego durante dois anos. “Houve uma altura em que não sabia mesmo para onde me virar. Estava numa espécie de limbo. Tinha apenas alguma experiência na advocacia. Depois soube da existência da Academia de Inovação. Candidatei-me e fui aceite”, explica.

Ronan fez um curso de seis meses no âmbito da Springboard, uma iniciativa que já permitiu a mais de 30 mil pessoas o acesso a cursos gratuitos para aquisição de competências consideradas cruciais para o futuro. Foi assim que Ronan conseguiu criar uma empresa de footgolf – um novo conceito desportivo.

Foi através da formação Springboard que Ronan conseguiu regressar ao mercado de trabalho. Mas as iniciativas com fundos públicos, como esta, precisam de ser complementadas pelo setor privado. Na verdade, há empresas que investem cerca de 10 mil euros para ajudar um funcionário, afetado por um plano de reestruturação por exemplo, a encontrar um novo caminho profissional.

Evelyne Catherineau é especialista nestes processos de transição. “Há cada vez mais pessoas a fazerem formações para poderem encontrar um novo emprego. Isto porque o mercado laboral está em constante mutação. É preciso atualizar as competências. Hoje em dia, há também mais mobilidade interna dentro das empresas, uma vez que há uma vontade de motivar os trabalhadores de forma a evitar que procurem outras opções”, afirma.

As competências mais requisitadas na Europa têm a ver com a prestação de serviços e as profissões liberais. Alemanha, Reino Unido e França lideram o volume de oportunidades profissionais; a Irlanda, por exemplo, está do outro lado do espetro.

A solução para os jovens é a formação profissional?

A Garantia para a Juventude é uma iniciativa que prevê fundos de 6 mil milhões de euros para colmatar o desemprego entre os jovens. Mas até que ponto os estágios preparam as pessoas para encontrar empregos duráveis?

Um pouco de sal, a quantidade certa de esforço e bons orientadores no topo – é a receita do Fifteen. Situado na Cornualha, na Inglaterra, o Fifteen não é apenas um restaurante de prestígio. Tornou-se também num projeto social que ensina jovens desempregados de áreas carenciadas a serem chefes. O formador Karl Jones declara que já teve “mais de uma centena de aprendizes no programa. 80% deles estão a trabalhar como chefes. Mesmo aqueles que não acabaram o curso, continuam a trabalhar na área, em restaurantes e hóteis locais.”

A taxa de desemprego jovem na União Europeia é mais do dobro da taxa de desemprego global. 11% dos jovens entre os 18 e os 24 anos abandonaram a escola prematuramente. A Europa está a reforçar a criação de programas de formação profissional, de forma a responder às exigências do mercado e dotar os jovens de competências para carreiras a longo prazo.

O programa de formação criado pelo Fifteen, inspirado pelo famoso chefe Jamie Oliver, obteve um tal reconhecimento que a União Europeia pretende replicar o modelo noutros sítios. No início, o projeto recebeu apoios na ordem dos 2,5 milhões de euros do Fundo Social Europeu e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, a que se juntaram subsídios britânicos. Em complemento, existe a Iniciativa para o Emprego dos Jovens, lançada para amparar os jovens com menos de 25 anos que vivam em regiões com elevadas taxas de desemprego.

A visão de Marianne Thyssen, Comissária Europeia do Emprego, Assuntos Sociais e Inclusão

euronews: Qual é a realidade europeia? Há falta de competências ou o mercado laboral mudou completamente?

Marianne Thyssen: É um bocado de ambas as coisas. Há mais de 2 milhões de postos de trabalho por preencher e isso tem a ver, em grande medida, com a falta de competências. Não é possível fazer um retrato da União Europeia como um todo – o cenário é diferente de acordo com o país. Se for, por exemplo, à região de Toulouse, em França, onde existe um setor aeroespacial, procuram-se certas competências; se for a Londres, onde se centram os serviços financeiros, privilegiam-se outras. O que é importante é sentar à mesma mesa as universidades e os empregadores para perceber quais serão as necessidades no futuro – ambos os lados têm mais a ganhar se não viverem em mundos diferentes.

euronews: Muitos países necessitam de reformas estruturais. O que é realista fazer?

MT: Nós pretendemos um sistema de proteção social moderno. Isso significa que é preciso proteger e ajudar as pessoas, mas também capacitá-las de forma a combater o desemprego a longo prazo. Nós apresentámos aos Estados-membros propostas muito concretas. Primeiro, é necessário fazer uma avaliação pessoal de cada desempregado. Qual é o seu potencial, quais são os pontos fracos? Porque é que ainda não regressou ao mercado de trabalho? É uma questão de competências ou há outros problemas? Depois, propomos uma espécie de contrato: por um lado, são-lhes oferecidas soluções; por outro, têm de se comprometer a seguir um determinado caminho. É crucial intervir antes que os desempregados percam definitivamente a vontade de voltar à escola ou de fazer uma formação.

euronews: A crise financeira trouxe um novo discurso sobre os empregos para os jovens?

MT: As consequências da crise ainda estão bem presentes. Ainda não há empregos suficientes, foram destruídos muitos postos de trabalho. E para além da questão de não haver empregos suficientes, muitas vezes são os empregadores que exigem demasiados critérios. Por outro lado, há também vários casos de pessoas que, por não conseguirem encontrar – digamos – o trabalho ideal, acabam por aceitar empregos menos qualificados. Isso é um problema, sobretudo para os jovens. A crise não lhes deu hipótese de acumular experiência de trabalho. Por isso é que insistimos tanto na promoção de estágios. Muitas vezes, são a primeira oportunidade para os jovens de ter uma experiência profissional.

euronews: Mas há também o risco de passar de estágio em estágio sem conseguir arranjar um trabalho…

MT: Há que diferenciar as coisas… Quando os jovens se mantêm em contratos precários, de curto prazo, um a seguir ao outro, isso sim é problemático. Pode acontecer aceitar-se um contexto profissional precário quando se trata de uma etapa no caminho rumo a uma boa oportunidade de trabalho. Nós chamamos frequentemente a atenção para isto: não aceitem um contexto onde os jovens se mantêm em situações precárias e são os mais velhos que ocupam os bons lugares. No ano que vem temos como prioridade o aprofundamento do estudo das competências que serão cada vez mais necessárias, o que é algo que difere de região para região. Em segundo lugar, pretendemos melhorar o sistema de validação de competências.

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