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Uma conversa com estrelas Viking

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Dinamarca conquistou um lugar de honra na edição deste ano do festival Lumière, em Lyon, através da presença do ator Mads Mikkelsen e do realizador

Dinamarca conquistou um lugar de honra na edição deste ano do festival Lumière, em Lyon, através da presença do ator Mads Mikkelsen e do realizador Nicolas Winding Refn, ambos distinguidos no Festival de Cannes.

A Euronews encontrou-se com os dois para falar das suas carreiras, que estão intimamente ligadas ao movimento Dogma e aos filmes-B.

O documentário ficcionado “Pusher”, que se tornou um clássico, foi a primeira aventura da dupla. Mikkelsen explicou como aconteceu:
“Foi a energia, mais do que tentarmos fazer algo que ainda não tinha sido feito, porque já tinha sido feito, mas não da nossa maneira. Queríamos dizer algo à nossa maneira. Tenho de dizer que a melhor coisa é quando as pessoas se inspiram e fazem os filmes como querem, não seguem o nosso caminho, mas sim o caminho delas, fazem à sua maneira.”

“Eu acho que é sempre importante fazer algo diferente, se é bom ou mau é quase irrelevante. A criatividade é mais sobre um fluxo de emoções que é destinado a inspirar ou penetrar, ou afetar. Se vais amar ou odiar, é como que a finalidade do mesmo. Eu digo sempre que a diversidade é rainha,” acrescentou Nicolas Winding Refn.

De acordo com Mikkelsen, ‘Pusher’ é o filme que inspirou o influente Dogma de Lars von Trier, o movimento de cinema avant-garde que se manifestava contra o uso de grandes efeitos especiais e tecnologia.

“Nós fizemos o filme sem regras, sem quaisquer regras de iluminação, de dinheiro, de vestuário ou de som. Fizemo-lo porque não tínhamos dinheiro. Se tivéssemos mais dinheiro teríamos investido no filme. Acho que aquela energia rock’n‘roll foi uma inspiração. Se os do movimento Dogma não querem admiti-lo, por mim tudo bem,” afirma Mads Mikkelsen.

A dupla avançou para a realização de duas sequelas de Pusher. Com a crescente fama veio o dinheiro extra para financiar filmes, o que levou Nicolas Winding Refn até ao filme experimental “Valhalla Rising”, onde Mads Mikkelsen é protagonista.

“Nós não somos muito parecidos, fora do trabalho não nos damos muito, estamos muito longe um do outro. Mas quando trabalhamos ficamos unidos como uma só pessoa. Sempre foi assim desde o início. Eu não sei muito bem como explicar isso … apenas, quando funciona, não pare,” esclarece Nicolas Winding Refn.

Um ex-bailarino de ballet que só começou a representar aos 30 anos de idade, Mikkelsen provou sua versatilidade extraordinária, que culminou com a conquista do prémio de Melhor Ator em Cannes, com o filme “A caça”, em 2012. Um ano antes, Winding Refn ganhou o prémio de Melhor Realizador com “Drive”, um conto tipicamente negro sobre homens violentos.

“Acredito que dentro dessa escuridão há também muita luz, e pode ver-se muito humor nos filmes do Nicolas. Como eu costumo dizer, “Buster Keaton nunca sorri … Ah, sorri sim!”, e quando o faz, o céu abre-se de uma forma louca. Acho que é isso que nos apaixona tanto, essa imensa luz que existe dentro da escuridão,” considera Mads Mikkelsen.

Winding Refn, sempre provocador, esteve no Festival Lumière para apresentar o seu novo livro onde dá a descobrir uma coleção exclusiva de cartazes de filmes-B norte americanos da década de 1960.

Nicolas Winding Refn revela aquilo que o seduz: “É claro que eu gosto de tudo o que é cinema de extremos, mas também gosto do cinema que foi feito sob censura. Porque, de certa maneira, é muito mais sexy quando é subliminar. E também o tipo de cinema pop a que nos referimos é muito anti-autoridade, muito rebelde, e acho que isso é uma parte importante de criatividade, ser rebelde contra o bom gosto. “

Questionado sobre os projetos, Winding Refn apontou na direcção do próximo filme ‘The Neon Demon’, com Elle Fanning, Christina Hendricks e Keanu Reeves como protagonistas.

Sobre o papel no próximo filme da saga Star Wars, Mads Mikkelsen deixou entender o segredo a que esta sujeito: “Se eu disser apenas uma palavra que seja sobre isso, amanhã eu serei crucificado, queimado e enforcado. Seria uma situação em que eu era o único a perder.”