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O que precisa saber sobre as eleições legislativas na Turquia

Cinco meses depois os eleitores turcos voltam às urnas A Turquia vai ter eleições legislativas antecipadas a 01 de novembro depois do fracasso das

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O que precisa saber sobre as eleições legislativas na Turquia

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Cinco meses depois os eleitores turcos voltam às urnas

A Turquia vai ter eleições legislativas antecipadas a 01 de novembro depois do fracasso das conversações para formar um governo de coligação.

O AKP, Partido da Justiça e Desenvolvimento liderado por Recep Tayyip Erdogan, no poder desde 2002, foi o mais votado, mas pela primeira vez em 13 anos perdeu a maioria absoluta nas eleições de 07 de junho.

O primeiro-ministro indigitado, Ahmet Davutoglu, tentou negociar a formação de um governo com o CHP, Partido Republicano do Povo e com o Partido do Movimento Nacionalista, mas não conseguiu chegar a um acordo. No próximo domingo, as mesas de voto vão estar abertas entre as 08h00 e as 17h00

Q: A importância destas eleições

Estas eleições são importantes para a Turquia, mas não só.
De olhos no escrutínio estão também os países vizinhos e a Europa, a braços com a maior crise de refugiados desde a II Guerra Mundial. A posição estratégica da Turquia e a entrada em cena dos aviões russos na guerra síria fazem de Ancara um apetecível aliado tanto para os países que querem derrubar o regime de Bashar Al-Assad como os que combatem o autodenominado Estado Islâmico.

Os turcos têm, no entanto, outras preocupações. Muitos encaram o escrutínio como uma tentativa de Erdogan substituir o sistema parlamentar por um regime presidencialista. A oposição acredita que a escalada de violência com o PKK, Partido dos Trabalhadores do Curdistão não aconteceu por acaso. A ideia, sustenta, seria impedir que o HDP, Partido Democrático do Povo – que contesta os planos de Erdogan – não chegasse à fasquia dos 10 por cento dos votos, impossibilitando a entrada no Parlamento.

O resultado das eleições vai ainda determinar o destino do frágil processo de paz com os curdos. As negociações caíram por terra depois de caças turcos terem atacado posições da guerrilha curda no norte do Iraque e de um atentado na província de Diyarbakir, uma região maioritariamente curda no sul da Turquia.

O atentado na cidade de Suruç, perto da fronteira síria, atribuído ao movimento Estado Islâmico incendiou os ânimos da população. Um bombista suicida fez-se explodir entre um grupo de apoiantes da causa curda provocando 32 mortos e cerca de 100 feridos. Ao atentado seguiram-se outros ataques contra forças de segurança turcas. Os curdos acusaram o governo de nada fazer para travar o terrorismo.

Estas eleições, também, são decisivas para a economia turca

A incerteza política refletiu-se na bolsa e na lira turcas. Em agosto a divisa do país atingiu mínimos históricos ao perder 1,8por cento para os 2,82 dólares. A atividade económica abrandou, uma situação que segundo os analistas se vai manter até à formação de um novo governo.

Q.: Como funciona o sistema eleitoral turco?

É um sistema parlamentar em que o verdadeiro poder é exercido pelo primeiro-ministro. O papel do Presidente é simbólico. O líder do partido que conseguir a maioria dos 550 deputados é nomeado primeiro-ministro. O parlamento é eleito por um período de quatro anos.

Na Turquia só os partidos que conseguirem 10 por cento ou mais podem ir para o parlamento. O sistema foi criado depois do golpe militar de 1980 e favorece os grandes partidos, em detrimento dos pequenos.

Q.: Quem são os principais partidos e candidatos?

O AKP, Partido da Justiça e Desenvolvimento com origem no islamismo moderado assume-se hoje como “democrata-conservador.” Liderado pelo primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, o partido do atual chefe de Estado tem vindo a perder força desde 2002.

Fundado em 2001 por membros dos partidos islamitas ilegalizados, são muitos os que questionam a verdadeira agenda do AKP.

Selahattin Demirtas, líder do movimento pró-curdo HDP acusa o atual governo e o partido islamita de estarem por detrás dos “atentados terroristas” atribuídos ao ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão. Demirtas responsabiliza os líderes do partido no poder pela atual instabilidade política no país e defende que “estão a empurrar o país para uma guerra civil.”

O CHP, Partido Republicano do Povo é um partido político laico e social-democrata. É o mais antigo partido político da Turquia e é atualmente o principal partido da oposição na Assembleia. O Partido Republicano do Povo apresenta-se como “um partido social-democrata moderno, que é fiel aos princípios fundadores e valores da República da Turquia”. O CHP é tido como “o partido fundador da Turquia moderna”. Em 22 de maio de 2010, a convenção do Partido Republicano do Povo elegeu Kemal Kılıçdaroğlu como novo líder. Kılıçdaroğlu avançou imediatamente com reformas no seio do partido.

O MHP, Movimento Nacionalista é um partido nacionalista. Nas eleições gerais de Junho de 2015, o partido conquistou 16,3% dos votos e conseguiu 80 lugares, tornando-se o terceiro maior partido político. O MHP costumava ser descrito como um partido neo-fascista ligado a milícias extremistas e violentas. Desde os anos 1990 que, sob a liderança de Devlet Bahçeli, tem gradualmente moderado o programa, passando do nacionalismo étnico para um nacionalismo e conservadorismo cultural, sublinhando o carácter unitário do Estado turco. O MHP tem estado continuamente representado na Assembleia Nacional desde 2007 com percentagens de eleitores acima dos 10%. É fortemente contra o processo de paz com os curdos e acredita que o problema da Turquia é o terror do PKK, não os direitos curdos.

O HDP, Partido Democrático do Povo foi fundado em 2012 como o braço político do Congresso Democrático do Povo, uma união de movimentos de esquerda que já se tinham apresentado separadamente a eleições e se uniram para ultrapassar a barreira de 10%. O partido funciona com um sistema co-presidencial, com um presidente e uma presidente. Desde 22 de junho de 2014, estes presidentes são, Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ respectivamente. Está em aliança com o Partido Democrático Curdo das Regiões (PAD), muitas vezes descrito como o partido irmão do HDP.

Como partido socialista democrático e anti-capitalista, o HDP aspira, fundamentalmente, a desafiar a divisão turco-curda e outros parâmetros existentes na política turca. Apesar do HDP afirmar que representa a totalidade da Turquia, os críticos acusam o partido de, principalmente, representar os interesses da minoria curda do sudeste da Turquia, onde o partido tem mais apoiantes. De 2013 a 2015, o HDP participou em negociações de paz com o governo turco, em nome do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), uma organização separatista militante, com a qual é acusado de ter ligações directas. Nas eleições gerais de Junho de 2015, o partido superou as expectativas ao alcançar 13,12% dos votos e conquistar 80 deputados.

Q.: Qual é o resultado mais realista, com base nas últimas sondagens?