Última hora

Última hora

França, Rússia, Turquia e EUA: Uma aliança improvável

Se, há alguns meses, parecia impossível juntar estes países por uma causa comum, a luta contra o terror do Daesh acabou por unir as potências de uma forma nunca vista desde a II Guerra Mundial. O Rein

Em leitura:

França, Rússia, Turquia e EUA: Uma aliança improvável

Tamanho do texto Aa Aa

A França começou agora a intensificar os bombardeamentos sobre Raqqa, o bastião do Daesh na Síria. Desde outubro, altura em que a França se juntou à coligação que leva a cabo estas operações, os aviões franceses ainda só tinham feito cinco raides. No Iraque, a aviação francesa estava há já um ano. Os ataques de 13 de novembro mudaram tudo.

Point of view

Não devemos estar condicionados por limites de tempo, devemos conhecê-los a todos pelo nome. Vamos procurá-los em todo o lado, onde quer que se escondam. Vamos encontrá-los em qualquer ponto do planeta e puni-los.

Na segunda-feira, perante o congresso reunido em Versalhes, François Hollande apelou a um novo tipo de aliança face ao Daesh: “Precisamos unir todos aqueles que podem realmente lutar contra este exército terrorista, no quadro de uma grande e única coligação. É dentro desse espírito que, nos próximos dias, me vou encontrar com o presidente Obama e com o presidente Putin, para unir as nossas forças”, disse o presidente francês.

Quatro dias depois dos atentados de Paris, no seguimento de uma conversa ao telefone com Hollande, também o presidente russo, Vladimir Putin, deu ordens aos militares para se coordenarem com os franceses, que devem fazer chegar o porta-aviões Charles de Gaulle ao Mediterrâneo Oriental nos proximos dias: “Em breve, uma frota naval francesa, liderada por um porta-aviões, vai chegar ao vosso teatro de operações. Devem estabelecer contacto com eles e trabalhar com eles como aliados”, disse o presidente russo, dirigindo-se aos militares.

Desde setembro, a Rússia leva também a cabo uma operação na Síria, só que o objetivo dos russos é também apoiar o presidente Bashar el-Assad. A confirmação de que a queda do Airbus da Metrojet foi causada por uma bomba do Daesh acabou por atiçar também a Rússia contra o grupo terrorista embora, oficialmente, este fosse já o objetivo.

O discurso de Putin não deixou dúvidas sobre a determinação: “Não devemos estar condicionados por limites de tempo, devemos conhecê-los a todos pelo nome. Vamos procurá-los em todo o lado, onde quer que se escondam. Vamos encontrá-los em qualquer ponto do planeta e puni-los”.

A Turquia reforçou também o combate contra o Daesh desde julho, altura em que a aviação turca começou a bombardear a Síria. Ancara pôs as bases ao dispor dos aviões da coligação liderada pelos Estados Unidos.

Esta quarta-feira, turcos e norte-americanos anunciaram que vão intensificar as operações numa área a cerca de 100 quilómetros da fronteira entre a Turquia e a Síria, ainda sob controlo do grupo radical.

O próximo país a juntar-se à coligação pode ser o Reino Unido. O plano do primeiro-ministro David Cameron vai, em breve, ser discutido no parlamento.