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Crianças em fuga da guerra: Quantas mais morreram no mar após Aylan Kurdi?

Cumprem-se esta quarta-feira seis meses sobre o dia em que a foto de uma criança morta numa praia da Turquia chocou o mundo. Aylan Kurdi tinha 3

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Crianças em fuga da guerra: Quantas mais morreram no mar após Aylan Kurdi?

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Cumprem-se esta quarta-feira seis meses sobre o dia em que a foto de uma criança morta numa praia da Turquia chocou o mundo. Aylan Kurdi tinha 3 anos, era um menino sírio em fuga da guerra ao aldo da família. Na trágica fuga pelo Mar Egeu, uma das bacias do Mediterrâneo, morreu também o irmão Galip, de 5 anos, e a mãe, Rehan. Apenas o pai, Abdullah, sobreviveu, ele que tinha tomado a decisão de embarcar a família de forma clandestina na Turquia para tentar chegar à Europa através da Grécia.

A imagem do cadáver de Aylan, registada pela fotógrafa Nilüfer Demir, alertou o mundo como poucas antes, tão ou mais trágicas, o tinham conseguido. Mas não ajudou a acabar com as mortes infantis no mar, de crianças em busca de uma vida em segurança, longe de guerras e perseguições violentas.

Só até 2 de fevereiro, cinco meses após Ayalan, mais de 300 crianças já teriam morrido da mesma forma ou desapareceram a tentar atravessar o mar rumo à Europa, estima o Missing Migrants Projetct (Projeto Migrantes Desaparecidos, em tradução direta), da Organização Internacinal para as Migrações (IOM, na sigla inglesa). Destas 3 centenas de mortes infantis, 291 teriam perdido a vida a tentar a mesma travessia que a família Kurdi, entre a Turquia e a Grécia.

O número não parou de aumentar, embora o fluxe de chegadas de migrantes à Grécia tenha baixado dos 2175/dia, em janeiro, para os 1904/dia, em fevereiro. Ainda assim, de acordo com o levantamento da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR, na sigla inglesa), só no último domingo de fevereiro terão conseguido chegar à Grécia 3651 migrantes, via marítima.

Os protestos levantados pela fotografia do cadáver de Aylan motivaram a União Europeia (UE) a lançar um compreensivo pacote de propostas para aliviar a pressão exercida sobre alguns Estados-membros pelo contínuo agravamento da crise de refugiados.

Bruxelas alargou o plano de relocalização de migrantes a partir de alguns dos países mais atingidos pelos fluxos na UE e permitiu a reintrodução temporária de controlos fronteiriços para tentar gerir os fluxos de pessoas não europeias em movimento sem vistos.

No ínicio do ano passado, a Comissão Europeia já tinha reforçado as operações marítimas de busca e salvamento, nas quais a marinha de Portugal está envolvida, com mais de 70 milhões de euros. Mesmo assim, a morte de crianças na travessia marítima entre a Turquia e a Grécia continuou, a uma média de duas por dia, entre setembro do ano passado e janeiro deste ano.

Outubro terá sido o pior mês em termos de mortes infantis, com a 84 crianças a perderem a vida na difícil travessia do Mar Egeu.

“Tragédia intolerável”

O crescente balanço de mortes mantém-se â medida que mais mulheres e crianças arriscam a meter-se no mar na Turquia, na esqperança de conseguirem chegar à Grécia. Em junho do ano passado, de acordo com a IOM, um 1 em cada 10 refugiados ou migrantes que se conseguiram registar na fronteira entre a Grécia e a Macedónia eram crianças.

Esse número agravou-se para 1 criança em cada 3 registos de migrantes/ refugiados na mesma fronteira, em outubro.




Sarah Crowe, porta-voz da UNICEF, disse à euronews (pode ouvir aqui a entrevista na íntegra) que houve homens que fizeram a perigosa travessia no ano passado e agora as respetivas famílias iriam tentar juntar-se-lhes. “Uma mãe com quem falei contou-me ter dado à luz na travessia entre a Turquia e a Grécia. Tinha o bebé de apenas 15 dias com ela e estava a a caminho da Alemanha, ao encontro do marido. Esta tende a ser uma história que se repete: as reuniões familares.”



Mapa: Morte de crianças migrantes no mar depois de Alan Kurdi tragedy

Clique nas zonas coloridas para mais detalhes. Fonte: IOM