Última hora

Última hora

Eis "Berenson", o robô que aprecia e critica arte em Paris

Em leitura:

Eis "Berenson", o robô que aprecia e critica arte em Paris

Tamanho do texto Aa Aa

O Museu de arte do Quay Branly, em Paris, França, tem por estes dias uma atração única. Pelos corredores da atual exposição em curso, ‘Persona

O Museu de arte do Quay Branly, em Paris, França, tem por estes dias uma atração única. Pelos corredores da atual exposição em curso, ‘Persona: Estranhamente humano’, podemos dar literalmente de caras com “Berenson”, um crítico de arte… androide.

Com ar de “hipster” e vestido de forma chique, “Berenson” reage com sorrisos ou expressões de desilusão às peças de arte e artefactos expostos no museu e oriundos de África, da Ásia, da Oceânia e das Américas.

Batizado a partir do pseudónimo “Bernard Berenson” do conhecido historiador de arte Bernhard Valvrojenski (1985-1959), “Berenson” foi desenvolvido em França e, podemos dizer sem preconceitos, é “filho” do engenheiro de robótica Philippe Gaussier e do antropólogo Denis Vidal. O robô celebra 5 anos desde que foi concebido e se começou a desenvolver.

Vidal explica-nos que o robô “ adapta-se por ele mesmo ao ambiente, baseando-se no seu gosto artificial”. “O objetivo é desenvolver um robô que seja equivalente à exploração estética do Mundo. O que estamos a fazer agora é desenvolver diferentes robôs com diversas preferências e gostos artificiais, e tentar perceber se, por causa disso, estas máquinas conseguem explorar o mundo à sua volta de formas mais interessantes”, conta-nos Denis Vidal.

O “Berenson” é capaz de analisar as expressões faciais dos visitantes humanos do museu e distingui-las entre “tristes” e “felizes”. O robô envia essa informação para um simulador de rede neurológica, o “Promethé”, e a partir do programa que o sustenta desenvolve as próprias impressões sobre os objetos que encontra.

Os visitantes do museu adoram-no. “É uma combinação de robô com o Charlie Chaplin. É muito curioso e, para mim, muito engraçado”, afirma uma visitante francesa oriunda de Toulouse. Outro, parisiense, também considera este estranho crítico de arte “divertido”. “Ao mesmo, tempo, os olhos dele comunicam comigo. É a ligação entre o ser humano e a máquina”, conclui.

O projeto do robô “Berenson” é parte de uma investigação em torno da subjetividade inerente ao ser humano, explica-nos Denis Vidal, no seu novo livro, “Nos limites do humano”. Muito mais, claro, do que um mero crítico de arte de visita a um museu, “Berenson” faz parte da presente exposição no Museu do Quai Branly, “Persona: Estranhamente humano”, um olhar à humanização dos objetos.

A exposição foi inaugurada em janeiro e pode ser visitada até meados de novembro.