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Edi Rama, primeiro-ministro: "É preciso parar com a história da Albânia corrompida e criminosa"

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Edi Rama, primeiro-ministro: "É preciso parar com a história da Albânia corrompida e criminosa"

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A União Europeia ainda pode fazer sonhar. Como acontece na Albânia, um país dos Balcãs, de novo associado a problemas como a corrupção ou a criminalidade. O socialista Edi Rama lidera o governo já há três anos e está a tentar impor reformas. Objetivo: colocar o país no clube europeu.

Em que situação está a Albânia neste processo de adesão à União Europeia (UE)? Vamos tentar descobrir, em entrevista exclusiva com Edi Rama, o primeiro-ministro da Albânia.

Audrey Tilve, Euronews: Começando pelo objetivo europeu, a Albânia tem estatuto de candidato há dois anos. O senhor tem pressionado para o início das negociações de adesão à UE. Se possível, para começarem já este ano. O que é que vê de atraente nesta UE apesar do estado em que ela parece estar?
Edi Rama, primeiro-ministro da Albânia: Eu penso que nós, albaneses, e no geral nos Balcãs, não nos esquecemos do que muitas vezes se esquecem na Europa: a União Europeia deve ser, sobretudo, um projeto de paz e de prosperidade construído em conjunto. Basta lembrar que eu, o primeiro-ministro albanês, visitei Belgrado após 68 anos e que o meu homólogo sérvio também já nos visitou em Tirana, pela primeira vez na história destes dois países vizinhos que estiveram em guerra, um contra o outro. E porquê? Porque estamos todos unidos neste esforço de nos juntarmos à Europa. Sim, é verdade que a Europa tem problemas. Problemas que é preciso serem resolvidos. Não como resultado de um projeto que não avança, mas devido a uma falta de coragem e de liderança para realizar este projeto.

 

Biografia: Edi Rama, 51 anos

  • Nasceu em Tirana, a capital albanesa, a 4 de julho de 1964;
  • Foi o autarca de Tirana entre 2000 e 2011;
  • Rama foi ministro da Cultura, Desporto e Desporto entre 1998 e 2000;
  • É primeiro-ministro desde 15 de setembro de 2013;
  • Antes de entrar na política, era pintor. Continua a pintar.
Numa União Europeia já de si enfraquecida, que interesse teria integrar uma Albânia também com muitos problemas?
Por causa, exatamente, dos motivos pelos quais Marine Le Pen e os seus próximos fazem propaganda contra o dito alargamento. Exatamente, por isso. Por uma Europa mais segura é preciso dar continuidade ao projeto e não deixar no meio da Europa uma zona cinzenta onde agentes externos à Europa — a Rússia ou os fundamentalistas islâmicos — encontram espaço para colocar em perigo a segurança europeia.

Reforma do sistema judicial

Em todo o caso, antes de começar a negociar a vossa adesão, Bruxelas exige uma grande reforma do sistema judicial. Uma reforma que tarda devido ao conflito entre o seu governo e a oposição que impedem a discussão no parlamento. Como pensa ultrapassar este impasse?
A reforma não tardará a chegar. Embarcámos nesta reforma há cerca de um ano e alguns meses. Estamos em curso de a finalizar. É uma reforma constitucional, fundamental e radical. É para mudar por completo o sistema judicial. É claro que é muito difícil de implementar. Já houve debates, poderá haver muitos mais, mas não podemos jamais esquecer duas coisas: em primeiro lugar, nós. Nós estamos a respeitar o calendário…

Qual é a demora? Quando pensa poder implementar esta reforma?
Queremos abrir as negociações de adesão no final deste ano. Quando o Conselho Europeu se reunir, é preciso que a reforma já tenha sido aprovada e ela será aprovada. Por outro lado, é preciso parar com essa história de uma Albânia corrompida e criminal porque isso é…

Os magistrados não são corrompidos na Albânia? Pode garanti-lo aos albaneses que nos veem?
É preciso parar com essa história da Albânia corrompida e criminosa e dos Balcãs corrompidos e criminosos. Esse é um estereótipo criado há muitos anos para facilitar a marginalização destes países.

De acordo com o departamento italiano antimáfia e outros registos, quase um terço da economia albanesa será dominada pelo crime, com tráfico de todos os géneros, sejam drogas, armas, mulheres, órgãos…
Isso é asqueroso, simplesmente asqueroso. Nunca houve relatório algum a dizer que um terço da economia albanesa provém do tráfico de seres humanos, drogas e todas essas coisas.

Quais são as suas estimativas, os seus dados? O senhor nega o facto de que existe tráfico de droga e de armas, e um negócio de mulheres na Albânia?
Nego-o e digo mais: é completamente falso falar-se de tráfico de armas na Albânia.

Não há, então, qualquer problema na Albânia em termos de crime. Tudo vai bem.
Porque é que temos de ir dos oito aos 80? Não percebo. Ou não há qualquer problema ou existem todos os tipos de crime na Albânia. Porquê? Não existe um meio-termo mais racional? Ou em termos jornalísticos, é mais interessante contar essas histórias? Descreveu a Albânia como se fosse a origem de todos os males da Europa, mas isso não é a verdade.

Não foi isso que eu disse.
A Albânia é um país que muda a cada dia. Com os seus problemas, com um passado de facto muito difícil — o mais difícil de todos os países comunistas. Durante 50 anos estivemos isolados não apenas da Europa ocidental, mas também da Europa de leste. Em 25 anos, conseguimos um verdadeiro milagre se atendermos à situação de onde viemos.

Recursos naturais e turismo na aposta económica

Mudemos de assunto. Falemos da economia do país que está a tentar desenvolver. O investimento estrangeiro está a crescer, porém o país ainda produz pouco e importa muito. Em que setores pretende apostar mais?
Bem, a Albânia é muito rica em recursos naturais: petróleo, gás, minerais. O país tem um potencial extraordinário para o turismo. Pode desenvolver a agricultura de forma competitiva face às suas próprias necessidades. Fizemos muito também em termos energéticos e, claro, temos uma mão-de-obra ainda muito barata. Isso ajudou-nos a ganhar vantagem no setor da manufatura. É sobre essas fontes de crescimento que pretendemos construir o nosso novo modelo económico e isto funciona.

Vamos fechar com um tema um pouco mais pessoal. Antes de entrar na política, o senhor era pintor. Em retrospetiva, arrepende-se de ter deixado o mundo das artes?
Nunca me arrependo de nada. Tinha outros planos de vida, mas agora estou aqui, à sua frente, e tenho a grande responsabilidade de liderar o governo do meu país. É o maior privilégio e a maior honra que qualquer um pode ter. Ao mesmo tempo, não suspendi o meu trabalho na arte. Continuo a ser artista ao mesmo tempo que sou primeiro-ministro. Pinto durante as reuniões, pinto durante chamadas telefónicas e isso ajuda-me bastante a concentrar-me nas conversas e nas reuniões. Como vê, não pinto durante as entrevistas, por isso isto nem sempre corre de forma perfeita.

Para saber mais sobre a candidatura da Albânia à União Europeia clique aqui ou aqui

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