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Christo propõe que andemos sobre a água: o sonho realizado

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Christo propõe que andemos sobre a água: o sonho realizado

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Andar sobre as águas já é literalmente possível.

Durante dezasseis dias, o artista búlgaro Christo estende ao público essa possibilidade sobre o transformado Lago Iseo, no norte de Itália.

100 mil metros quadrados de um tecido amarelo alaranjado, sustentados por 220 mil cubos de polietileno de alta densidade compõem os “Cais Flutuantes”, em três quilómetros que ligam a cidade de Sulzano às ilhas de Monte Isola e San Paolo.

Walking on water: Bulgarian artist Christo realises his dream

O artista partilha aquilo que a obra é para ele e inclui nela a memória da sua falecida mulher, Jeanne-Claude: “O nosso projecto é todo sobre alegria e beleza. Absolutamente, totalmente inútil, desnecessário. Ninguém precisa dele excepto eu, Jeanne-Claude e alguns amigos. Por isso tem esta absolutamente irracional e inexplicável liberdade que existe porque é isso que é. Não é propaganda, nem mensagem, nada, é só sentimento. Vejam-no, sintam-no, mexam-lhe, tomem todos os sentidos.”

As condições meteorológicas não impediram milhares de visitantes de se porem em fila durante horas, este fim de semana, para a abertura da instalação que permanecerá sobre o lago apenas por duas semanas.

Para Christo, a duração no tempo da instalação não a resume: “A obra de arte é todo o percurso até estes dezasseis dias. O processo total é a obra de arte, que criou durante por muitas, muitas semanas ou meses ou anos, expetativa, pessoas contra o projeto, pessoas a favor e, finalmente, a obra está instalada.”

A cor vibrante do tecido usado fará viagens por tons avermelhados e dourados, dependendo da incidência da luz. O mesmo tecido que cobre algumas das ruas de Sulzano.

““Os Cais Flutuantes”“:http://www.thefloatingpiers.com/the-project esperam-se pisados por meio milhão de turistas até dia 3 de julho.
Como todos os projectos de Christo, o acesso é gratuito e acessível 24 horas por dia, dependendo apenas das condições meteorológicas. Christo vai ainda mais longe, estendendo-nos o convite e as águas: “Não há bilhetes, inaugurações, reservas ou donos. Os Cais Flutuantes são uma extensão da rua e pertencem a toda a gente.”

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