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#Brexit: Ataques racistas aumentam 5 vezes no Reino Unido na semana após o referendo

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#Brexit: Ataques racistas aumentam 5 vezes no Reino Unido na semana após o referendo

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Os crimes de ódio racista aumentaram cinco vezes no Reino Unido no espaço de uma semana após o referendo onde foi aprovado o “brexit”, isto é, a saída dos britânicos da União Europeia. O balanço tem por base números revelados pelo Conselho de Chefes da Polícia Nacional (NPCC, na sigla original).

“Desde a última quinta-feira (dia do referendo), 331 incidentes de crimes de ódio foram reportados à página de internet nacional ‘True Vision’ por comparação com a média semanal de 63 registos”, lê-se num comunicado de 30 de junho da NPCC.

O documento ressalta também um “agravar da tensão na comunidade direcionada à comunidade imigrante desde o referendo”, com os “migrantes a reportar abusos verbais, comentários negativos nas redes sociais incluindo linguagem xenófoba, panfletagem anti-imigração e, em número muito limitado, agressões físicas “. “Todos estes incidentes estão sob investigação ativa”, garante a NPCC.

Entre os alvos destes ataques racistas no Reino Unido há também portugueses. Na terça-feira, a agência Lusa revelou o caso de uma portuguesa a viver no Reino Unido há 13 anos e que foi cuspida na cara e agredida com uma bandeira inglesa por um grupo de jovens na casa dos 18 a 20 anos, logo no dia a seguir ao referendo.

Cláudia Martins, motorista de autocarros em Wrexham, sentiu-se hostilizada no posto de correios local, onde tinha ido pedir informações sobre o cartão de residência que o governo português a aconselhou a solicitar. “O senhor olhou para mim, disse que não era ali que se fazia e riu-se para o colega. Senti-me mal. Mas, como faço sempre o mesmo serviço de autocarro, também tive pessoas a trazerem-me flores e chocolates e a dizerem-me que fique”, disse.

Em Thetford, na região de Norfolk, na costa leste de Inglaterra, Joe Barreto, fundador da organização sem fins lucrativos “Simple”, confirma que ele próprio também foi vítima de um episódio de xenofobia. “Um carro parou junto à minha família, cuspiu-nos e insultou-nos. Fiz queixa à polícia, mas muitos portugueses aqui não querem falar por medo de represálias”, revelou Joe Barreto.

Mas também há britânicos a ser alvo de ataques só porque têm um tom de pele diferente. Sima Kotecha é jornalista da BBC, nascida e criada em Basingstoke , no Reino Unido. Há dias, durante uma entrevista num bar para a rádio, o entrevistado usou o termo “paki”, um insulto habitualmente dirigido a imigrantes islâmicos, e a jornalista sentiu-se ofendida, reportando o sucedido pelas redes sociais.

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A polícia de Hampshire abriu uma investigação ao caso reportado por Sima Kotecha. “Podemos confirmar que estamos a a investigar uma alegação de abuso racial em Basingstoke que foi reportado nas redes sociais e estamos a fazer todos os esforços para contactar e falar com a vítima. Levamos alegações desta natureza extremamente a sério e este tipo de comportamento não será tolerado”, afirmou um porta-voz da polícia, citado pelo The Telegraph.

Na quarta-feira, um jovem muçulmano que conduzia um BMW em Leyton, a leste de Londres, foi atacado sem razão aparente por um homem armado de uma barra de ferro. O agressor partiu o vidro do carro do jovem e terá ainda tentado atacar um taxista de origem paquistanesa.

Na capital britânica, na segunda-feira, os vidros da POSK, uma associação sociocultural polaca, foram pintados com a frase “Fuck You – Out”. A associação recebeu, entretanto, flores em sinal de solidariedade da comunidade local e este ataque racista foi condenado pelo ainda primeiro-ministro britânico.

“Nos últimos dias, vimos pinturas desprezíveis num centro comunitário polaco, vimos abusos verbais contra indivíduos porque eles são membros de minorias étnicas. Temos de nos lembrar que estas pessoas vieram para cá e deram um importante contributo para esta nação. Nós não vamos tolerar crimes de ódio e este tipo de ataques. Isto tem de ser erradicado”, disse David Cameron, logo na segunda-feira, perante os deputados britânicos.

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos garante estar atento e diz também que estes comportamentos têm de ser parados. “Isto (o voto do referndo) não pode ser interpretado por alguns indivíduos como uma licença para perderem o bom senso e assumirem um comportamento agressivo contra comunidades mais vulneráveis. Esperamos, por isso, que estes comportamentos acabem em breve”, afirmou, em Genebra, na Suíça, Zeid Ra’Ad al Hussein.

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