Última hora

Em leitura:

Euro2016: Finalmente, Portugal! Vence País de Gales (2-0) e está na final

the corner

Euro2016: Finalmente, Portugal! Vence País de Gales (2-0) e está na final

Publicidade
  • Portugal 2-0 País de Gales
  • Cristiano Ronaldo e Nani marcaram para a equipa das quinas
  • Portugal defronta agora o vencedor do França-Alemanha

    Portugal está na final do Campeonato da Europa pela segunda vez na sua história depois de derrotar o País de Gales por dois golos sem resposta. A equipa das quinas tem vindo a crescer de jogo para jogo e garantiu um lugar no encontro decisivo com a melhor exibição no torneio até ao momento. Cristiano Ronaldo e Nani foram os marcadores de serviço, a abrir o segundo tempo. Foram dois mas até podiam ter sido mais.

Mais do mesmo

A primeira parte foi fiel ao retrato de Portugal nos últimos jogos, uma equipa sólida e confiante mas que não arrisca um milímetro. Para Fernando Santos os equilíbrios têm sido mais importantes que os desequilíbrios e a fórmula para já tem resultado. Contrariamente aos dois primeiros jogos, em que qualquer pretexto era bom para rematar, a equipa está mais paciente e procura usar a mobilidade no último terço para criar desequilíbrios.

Ronaldo entregou-se ao jogo, participou na criação mas teve dificuldades em encontrar espaço na zona de finalização. A melhor oportunidade do primeiro tempo pertenceu a João Mário, que depois de uma tabelinha com o capitão ganhou espaço na área mas o remate saiu fraco e sem a direção desejada.

Já o País de Gales foi bem mais cauteloso que o habitual, Chris Coleman alinhou com três centrais e, à falta do cérebro Aaron Ramsey (castigado), a equipa dependeu demasiado das arrancadas de Gareth Bale. Aos 23 minutos o atacante fez o que quis de Danilo e correu meio-campo sem oposição. À entrada da área rematou à figura. A alternativa eram bolas longas para a área, ao bom estilo britânico. Pouco para o segundo melhor ataque da competição.

Resolver em três minutos

Tudo mudou no segundo tempo. Portugal entrou a todo o gás e precisou de apenas cinco minutos para se colocar em vantagem no marcador. Cristiano Ronaldo não se deixou intimidar pelos três centrais galeses e quem mandou nas alturas foi ele. Cabeceou para o fundo das redes após cruzamento com conta, peso e medida de Raphaël Guerreiro.

Estava feito o mais difícil mas nem por isso Portugal tirou o pé do acelerador. Três minutos depois, Cristiano Ronaldo recuperou uma bola perdida à entrada da área e não perdeu tempo a tentar a sua sorte. Saiu um cruzamento remate que Nani aproveitou para enviar para o fundo das redes. Estava feito o 2-0 e dificilmente a vitória escaparia à equipa das quinas. Afinal de contas, tinha agora oportunidade para jogar como tanto gosta: cedendo a iniciativa ao adversário e aproveitar a velocidade dos atacantes para criar perigo. Assim foi.

Infelizmente para o País de Gales, Ramsey estava na bancada pelo que apesar da maior posse de bola, nunca conseguiram desorganizar a linha defensiva portuguesa. Gareth Bale era a principal esperança mas sem espaço para explorar a sua velocidade, ficou limitado a duas alternativas, rematar de longe ou rematar de muito longe. Ainda assim criou perigo mas nunca o suficiente para colocar em causa o triunfo português.
Antes pelo contrário, com espaço para atacar, Portugal por várias vezes esteve perto do golo. Por displicência, azar ou mérito, o terceiro nunca chegou. Também não foi preciso.

Portugal fez a sua melhor exibição desde o início do torneio. É sina de um selecionador ter pouco tempo para trabalhar as suas ideias juntos dos jogadores, pelo que é perfeitamente natural que quanto mais tempo a equipa trabalhe junta, melhores os resultados.

Portugal é hoje uma equipa muito mais forte que a equipa que começou o torneio. A mobilidade no último terço por várias vezes deixou os galeses às aranhas e a alta rotação dos homens do meio-campo (Adrien Silva fez uma exibição de luxo) deixou Portugal sempre mais perto da vitória. Se a curva ascendente continuar na final de Paris, temos bons motivos para sonhar com a vitória.

Ficha de jogo

Estádio Parc Olympique Lyonnais, Lyon
Árbitro: Jonas Eriksson (Suécia)

Portugal:Rui Patrício, Cédric, Bruno Alves (A), José Fonte, Raphaël Guerreiro, Danilo, João Mário, Adrien Silva (João Moutinho 79'), Renato Sanches (André Gomes 74'), Nani (Ricardo Quaresma 86') e Cristiano Ronaldo (A)
Treinador: Fernando Santos

Gales:Wayne Hennessey, Chris Gunter, James Chester (A), James Collins (Jonathan Williams 66'), Ashley Williams, Neil Taylor, Joe Ledley (Sam Vokes 58'), Joe Allen (A), Andy King, Gareth Bale (A), Hal Robson-Kanu (Simon Church 63')
Treinador: Chris Coleman

Golos: Cristiano Ronaldo (50'), Nani (53')

Reações ao triunfo de Portugal

Homem do jogo: Cristiano Ronaldo

O Portugal — País de Gales (2-0) em fotos

EURO2016 SEMI-FINAL PORTUGAL WALES

A antevisão especial da euronews para o Portugal-País de Gales

A poucas horas do pontapé de saída do Portugal – País de Gales, a euronews esteve na “fan zone” de Lyon, a escassos quilómetros do estádio do jogo, para uma antevisão especial desta primeira meia-final do Euro2016.

Com a condução a cargo da nossa apresentadora Paula Vilaplana, da equipa espanhola da euronews, falámos, de um lado, com um jornalista da nossa equipa portuguesa, Francisco Marques; do outro, com um da equipa britânica, Mark Davis.

Paula Vilaplana: Começo pelo Francisco, uma vez que Portugal foi a primeira a qualificar-se. Francisco, como descreves o percurso de Portugal no Europeu?
Francisco Marques, Portugal: Na verdade, Paula, Portugal não está a jogar mal neste Europeu. Faltam simplesmente os golos. Portugal está, sim, a prestar um bom serviço à UEFA. Na fase de grupos, a equipa jogou a um ritmo baixo para que todos pudessem perceber como se deve jogar futebol. A Islândia, por exemplo, aprendeu. Nos oitavos-de-final, Portugal mostrou como se defende e controla um rival forte e como se ganha no prolongamento com um contra-ataque eficaz na hora certa. Nos quartos-de-final, Portugal mostrou como se ganha em penáltis. Infelizmente, Alemanha e Itália estiveram desatentas. Quanto a Portugal estar nas meias-finais, Paula, não é assim tão inesperado. Se olharmos aos últimos 20 anos, é mais usual Portugal jogar as meias-finais de Europeus do que, por exemplo, a Espanha.

Mark, podes descrever-nos o sentimento de toda a nação diante de algo tão importante e inesperado?
Mark Davis, País de Gales: A última vez que Gales esteve num grande torneio, o príncipe Carlos tinha apenas 10 anos e ainda nem sequer era o Príncipe de Gales. Por isso, só a qualificação para o Euro foi mágica. O País de Gales foi fantástico na fase de grupos e até se deu ao luxo de deixar a Inglaterra ganhar, como bons vizinhos. Agora, chegar à semifinal é como uma experiência extrasensorial. É o género de sonho que se têm quando se exagera a comer queijo antes de irmos dormir. Não me parece que os adeptos galeses previssem chegar à meia-final. As pessoas tiveram de alterar os planos à última hora. Suspeito que muitos ligaram aos patrões a dizer que ficaram doentes e que não podiam ir trabalhar esta semana. Provavelmente, alguns dos patrões também meteram baixa. Todas estas viagens não saem baratas, mas não há dúvidas de que vale a pena para os adeptos galeses.

Vamos ao que interessa. Posso imaginar as vossas respostas, mas… Quem pensam que vai vencer?
Francisco Marques, Portugal: Portugal vai ganhar porque é isso que determina uma das mais velhas alianças da Europa. Portugal tem um dever para com a Rainha Isabel II de a ajudar a manter o reino unido e Portugal vai faze-lo. O País de Gales votou pela saída da União Europeia, mas a seleção de futebol insiste em manter-se no continente europeu. Boris Johnson e Nigel Farage (os dois rostos principais do “Brexit”) já abandonaram o barco à deriva, agora é tempo de “Khaleese e os seus dragões”, perdão, é tempo de Gareth Bale voltar e ajudar o reino a manter-se unido e a encontrar um novo rumo.

Mark Davis, País de Gales: Não sei que torneio o Francisco tem andado a ver, mas no que eu tenho visto Portugal tem sido muito mediano. O País de Gales, por outro lado, marcou mais golos que todas as outras equipas exceto a França e é a equipa que os adeptos neutros estão a apoiar esta noite. As pessoas falam de Cristiano Ronaldo — ou o “pobre Gareth Bale”, como lhe chamam —, mas este é um jogo de equipa e isso tem sido a chave do sucesso dos galeses até agora. Podem não ter grandes nomes, podem não jogar todos em grandes equipas e ganhar milhões a fazer anúncios de champô, mas os galeses jogam como equipa. Foi isso que os trouxe até aqui e é isso que os vai fazer ganhar esta noite.

Para terminar, atrevem-se a arriscar um resultado?
Francisco Marques, Portugal: Para que o Mark fique mais esclarecido com os números da UEFA, Portugal ganha 4-0 e chega aos 10 golos marcados.

Mark Davis, País de Gales: Penso que vai ser um jogo equilibrado, vai ter prolongamento, Gales ganha 1-0 e vai à final.

Alemanha-França, uma rivalidade histórica

França e Alemanha jogam esta quinta-feira pelo outro lugar na final. Muitos consideram ser a final antecipada, mas na verdade só um poderá chegar ao jogo do título.

A França chega a esta meia-final na máxima força, sem lesionados nem castigados. A equipa de Didier Deschamps está ainda motivada pelo triunfo gordo (5-2) sobre a Islândia, a sensação do torneio. Foi aliás, o primeiro grande jogo dos gauleses, embora cheguem às “meias” sem derrotas e apenas com um empate, mas com um percurso não muito difícil, há que dizê-lo.

Agora, tem pela frente o primeiro tubarão, a Alemanha, mas a França nunca perdeu um grande torneio a jogar em casa. “Temos uma hipótese e vamos joga-la no nosso máximo, com todo o respeito que temos de ter pela Alemanha, a campeã do mundo e a equipa que deixou melhor impressão nestes primeiros cinco jogos do Europeu”, avisou o selecionador Didier Deschamps, no lançamento do jogo.

Pela Alemanha, Thomas Müller foi o porta-voz da enorme confiança da equipa de Joakim Löw. Os campeões do mundo não podem contar, porém, com o castigado Mats Hummels nem com os lesionados Sami Khedira e Mario Gomez.

“Há sempre lesões, há sempre castigos, mesmo em jogos importantes. Como equipa, temos de saber lidar com isto. Já o disse antes deste torneio, julgo que nunca tivemos uma equipa tão forte. Somos todos jogadores de qualidade e é por isso que estou tão confiante para este jogo”, avisou Müller.

Tal como a França, a Alemanha chega às meias-finais sem derrotas e apenas com um empate a zero na fase de grupos, neste caso diante da Polónia. Mas também nos quartos-de-final a Alemanha empatou e teve até de jogar um histórico desempate por penáltis com a Itália. E agora, em Marselha, como será com a França?

Bola de cristal antevê triunfo gaulês

A euronews volta a tentar adivinhar o resultado nesta segunda meia-final. Para o jogo desta quinta-feira, a nossa bola de cristal vestiu as cores da equipa da casa e antevê uma vitória da França sobre a Alemanha, por 3-2. Será que vamos acertar?

Como sempre, pode enviar-nos também os seus prognósticos pelas redes sociais usando a “hashtag” #TheCornerScores.”

As declarações que nos abriram a boca

Nestas quase quatro semanas de competição, temos ouvido muitas declarações curiosas de jogadores e selecionadores. Algumas deixaram-nos de boca aberta. Eis a nossa seleção das melhores frases deste Europeu.
  • Heimir Hallgrimsson, selecionador da Islândia, depois de eliminar a Inglaterra, nos oitavos-de-final, a 27 de junho: “Acho que vamos mudar o nosso feriado nacional. Normalmente, e a 17 de junho, mas agora devem muda-lo.”
  • Xherdan Shaqiri, avançado da Suíça, depois das camisolas da seleção se terem começado a rasgar: “Espero que a Puma nõ fabrique preservativos.”
  • Artem Dzyuba, jogador da Rússia, depois dos confrontos na primeira jornada, em Marselha, entre adeptos russos e e ingleses: “Isto não é um campeonato de lutas de rua, isto e futebol.”
  • Cristiano Ronaldo, capitão de Portugal, após o empate (1-1) com a Islândia na primeira jornada: “A Islândia não tentou nada. Apenas defendeu, defendeu. Tiveram duas chances e marcaram um golo. Foi uma noite de sorte para eles. Estamos frustrados. Eles nem sequer tentaram jogar. É por isso que acho que eles nao fazer nada aqui. Na minha opinião, têm uma mentalidade pequena.”
  • Kari Arnason, jogador da Islândia, em resposta a Cristiano Ronaldo: “Ele é um futebolista fantástico, mas não é um ser humano gracioso. A verdade é que nos quase ganhámos e, por isso, o que ele disse, é uma contradição face ao próprio jogo.”
  • Zlatan Ibrahimovic, capitão da suécia, antes de iniciar o seu último Europeu pela seleçao: “A lenda ainda pode conseguir fazer coisas”. (De facto, não conseguiu, saiu sem glória e despediu-se da seleção, trocando o PSG pelo Manchester United).

Há pontos de vista diferentes para cada história: a Euronews conta com jornalistas do mundo inteiro para oferecer uma perspetiva local num contexto global. Conheça a atualidade tal como as outras línguas do nosso canal a apresentam.

Artigo seguinte