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Jogos Olímpicos: Seppelt critica decisão do COI

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Jogos Olímpicos: Seppelt critica decisão do COI

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Depois de o Comité Olímpico Internacional (COI) ter aprovado a participação da Rússia nos Jogos Olímpicos de 2016, os primeiros representantes da delegação russa desembarcaram no Rio de Janeiro no domingo. Um total de 339 atletas russos pretende competir nos Jogos.

Não é certo ainda que sejam todos autorizados a participar. Antes, terão de obter a permissão das federações respetivas.

O Comité Olímpico Internacional fixou cinco critérios a cumprir, um dos quais é nunca ter sido alvo de sanções por doping, o que exclui a meio-fundista russa Yuliya Stepanova.

Stepanova, que revelou o esquema de doping russo, foi declarada eligível pela Federação Internacional da Atletismo (IAAF) para disputar os Jogos do Rio como atleta independente, mas foi banida pelo Comité Olímpico Internacional.

A atleta russa foi a principal informadora do jornalista da ARD alemã Hajo Seppelt, autor do documentário que mostra que o esquema de doping no desporto russo tinha o apoio do Estado e dos serviços secretos. Depois de divulgado o primeiro documentário da ARD, em dezembro de 2014, Stepanova saíu da Rússia com o marido e o filho e em 2015, pediu asilo político no Canadá.

Entrevista a Hajo Seppelt

Andreas Hinz: Connosco está o jornalista alemão Hajo Seppelt, especialista em assuntos de dopagem da ARD. Revelou num documentário um esquema de doping sistemático dos atletas russos e denunciou, várias vezes, esta prática apoiada pelo próprio Estado. O que pensa da decisão do Comité Olímpico Internacional?

Hajo Seppelt: “É uma declaração de falência na luta contra o doping. É um revés para a transparência desportiva. Os vencedores são aqueles que enganam. É esta a mensagem do COI. No final fizeram uma vénia ao poder russo. A decisão que faz lembrar os piores anos em que o Estado era o patrocinador de doping – só comparável à Alemanha de leste há 30 anos – não torna o doping socialmente aceitável, mas também não coloca um ponto final a tudo isto. O COI remeteu para as respetivas federações a responsabilidade e terão de ser estas a apurar, agora, no espaço de doze dias se os atletas russos podem participar nos JO. As federações têm que atestar, se os atletas que integram a lista de potenciais participantes fazem ou não parte deste esquema de doping. Uma tarefa que é impossível de realizar no prazo de doze dias.

Hinz: Referiu que as federações não têm tempo suficiente, mas acha que seria sensato deixar de fora todos os atletas se cada caso pode ser comprovado individualmente? Admitiu, mais do que uma vez, que alguns atletas podem estar limpos. Haverá lugar para a presunção de inocência?

Seppelt: “Não estamos a falar de atletas, mas de federações e do Comité Olímpico russo que definem as práticas desportivas e participam nas competições. Se uma federação não puder garantir que os atletas sob a sua responsabilidade estão limpos pelo facto de o sistema onde operam estar contaminado ou corrompido, neste caso, não estamos a falar do mesmo patamar de igualdade. Em vez disso, passamos a ter potenciais ou reais defraudadores. É por isso, que existe um código mundial antidopagem que submete às mesmas regras todos os membros. Pelo que mesmo os atletas limpos que se encontram inseridos nestes sistemas devem ser excluídos.

Hinz: Que consequência pode ter esta decisão em futuros Jogos Olímpicos?

Seppelt: “O ano de 2016 revelou o pior cenário possível quando se descobriu que não só agora, mas também em diferentes períodos no passado houve uma intervenção maciça do Estado russo. Os atletas foram envolvidos em esquemas secretos de dopagem. No caso de haver algo percetível ou de os resultados darem positivo, os testes foram suprimidos ou simplesmente destruídos. Tudo isto foi feito pelo ministério do Desporto russo e apoiado pelos serviços secretos. Se este nível de manipulação não é o suficiente para dizer que é preciso excluir o Comité Olímpico Russo, então não sei o que é preciso fazer para que sejam tomadas medidas contra o doping. Há uma falta de consistência por parte de COI. Na verdade, o COI enviou ao mundo a mensagem de que é possível enganar e ser-se bem-vindo aos Jogos Olímpicos.”

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