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Moçambique: Representante do FMI lamenta falta de progressos em auditoria independente às dívidas escondidas

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Moçambique: Representante do FMI lamenta falta de progressos em auditoria independente às dívidas escondidas

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Com Lusa

O FMI lamentou a falta de progressos na realização de uma auditoria forense independente e internacional à dívida moçambicana, após a revelação dos empréstimos ocultados pelo Estado.

A instituição considera a auditoria fundamental para o restabelecimento da confiança em Moçambique.

Alex Segura, representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Maputo, disse, em entrevista ao semanário Savana, que houve poucos progressos na área.

Segundo Segura, “a confiança só pode só pode ser restaurada se existir a revelação completa de todos os aspetos relacionados com esses volumosos empréstimos”.

O representante do FMI referia-se à descoberta, em abril, de créditos a empresas estatais de 1,2 mil milhões de euros, garantidos pelo Governo moçambicano, entre 2013 e 2014, à revelia do parlamento e dos parceiros internacionais.

Após a descoberta dos empréstimos, o FMI interrompeu o pagamento de um crédito a Moçambique e os doadores do Orçamento do Estado também interromperam os seus financiamentos.

As dívidas foram dadas a conhecer após o caso Ematum- (Empresa Moçambicana de Atum), que envolveu um empréstimo igualmente garantido pelo Governo de 758 milhões de euros, usado em parte para a aquisição de equipamento militar, e também ocultado nas contas públicas.

Nova missão do FMI em Maputo este mês

Uma missão do FMI é esperada a 22 de setembro em Maputo, poucos dias após uma visita do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, aos Estados Unidos, onde se deverá avistar com a diretora-geral do fundo.

Christine Lagarde afirmou em maio que a suspensão do financiamento que a instituição fornecia a Moçambique foi justificada por sinais claros de “corrupção escondida”.

O FMI e os principais parceiros de cooperação de Moçambique exigem uma auditoria forense independente e internacional à dívida moçambicana, como condição para reatar os seus financiamentos, mas Filipe Nyusi já sinalizou que ela pode vir a não acontecer.

O ministro da Economia e Finanças de Moçambique, Adriano Maleiane, manifestou em julho confiança de que as empresas beneficiadas pelos empréstimos não declarados têm ativos para pagar as suas dívidas e não será necessário executar as garantias.

No entanto, Alex Segura não tem a mesma opinião.

“O ‘stock’ da dívida poderia ser reduzido através da venda de alguns ativos, mas é pouco provável que sejam suficientes para pagar a dívida na totalidade”, disse o representante do FMI naquele país da África austral.

Segura referiu, ainda, ter registado “algum progresso” nas recomendações feitas na última deslocação de uma missão do fundo a Maputo, em junho, num momento em que Moçambique vive “uma crise económica séria”.

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