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Luaty Beirão de novo detido em Angola: "Fomos agredidos na via pública"

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Luaty Beirão de novo detido em Angola: "Fomos agredidos na via pública"

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Luaty Beirão voltou a ser detido este sábado em Luanda, ao lado de mais sete ativistas, incluindo três mulheres, e denunciou ter sofrido agressões por parte da polícia. O ativista luso-angolano, tal como o resto do grupo, terá sido libertado duas horas depois.

A notícia da detenção foi avançada pelo jornal digital português Observador, revelando que Luaty Beirão havia sido detido juntamente com outros sete ativistas diante de uma prisão na capital de Angola, onde tentaram visitar um outro ativista.


O incidente — descreve o Observador — aconteceu depois de ter sido negada ao grupo a entrada na Comarca de Viana. O objetivo era visitarem o também ativista Francisco Gomes Mapanda, preso em março depois de ter interrompido, com o grito “uma palhaçada”, a leitura da sentença do grupo conhecido como “15+2”, do qual fez parte Luaty Beirão e outros ativistas do grupo detido este sábado.

Ao chegarem este sábado de manhã à prisão, os oito ativistas tomaram conhecimento de que as visitas previstas entre as 10 horas da manhã e o meio-dia tinham sido suspensas.

“Primeiro disseram que havia uma atividade na prisão. Depois disseram que havia uma infestação na sala. Depois que havia um visitante importante na prisão, mas eles não nos queriam dizer quem era”, descreveu ao Observador Luaty Beirão.

O grupo quis “apresentar reclamação”, mas foram mandados “para o outro lado da prisão”. “Disseram-nos que na porta de visitas ia estar lá alguém para dar respostas”, contou o ativista luso-angolano.

Quando chegaram à porta das visitas, o grupo foi recebido por um superior da prisão, que, porém, se terá negado a dar as respostas pretendidas pelos ativistas. “Deu-nos as costas e fechou o portão na nossa cara”, recordou Luaty.

Os ativistas terão, então, começado a bater na porta e um aparato policial surgiu no local. “Polícia, seguranças da prisão, carros, motos, tudo”, descreveu o ativista, garantindo que eram “mais de 30 polícias.”

“Eu levei um pontapé, outro no braço, levei uma chapada e pisaram-me as costas quando eu já estava deitada”, conta Rosa Conde, outra das ativistas deste grupo de oito entrevistada pelo Observador, garantindo: “Eram mais de cinco polícias a baterem-me. Eles dividiam-se.”


Luaty Beirão explicou que foram “agredidos na via pública, em frente de dezenas de pessoas que estavam ali também para fazer a visita”. Divac Freire, outro dos detidos este sábado, acrescentou que “a polícia foi muito agressiva”. “Houve tortura, agressões. Houve muita violência. Houve quem ficasse com hematomas”, acrescentou.

Após as alegadas agressões, os oito ativistas terão sido colocados “como animais”, descreveu Rosa Conde, numa carrinha de caixa aberta da Polícia Nacional e levados para o Comando Geral de Viana.

“Quando chegámos lá, eles não sabiam o que fazer connosco. Nós não tínhamos vontade de conversas, eles não estavam com vontade de agredir e então disseram-nos que estávamos convidados a irmos para nossas casas”, relatou Luaty Beirão. Os oito ativistas terão estado detidos durante duas horas.

Divac Freire e Nuno Dala, outro dos detidos deste sábado, ficaram responsáveis por irem apresentar queixa no Comando Geral da Polícia Nacional em nome do grupo, do qual fizeram ainda parte Elisabete Dala, Laurinda Gouveia, Albano Bingo Bingo e Graciano Brinco.

A generalidade destes ativistas esteve em prisão preventiva entre 20 de junho e 18 de dezembro e depois em prisão domiciliária até 28 de março. Nesse dia foram condenados a prisão, pena que começaram de imediato a cumprir, por decisão do tribunal, apesar dos recursos interpostos pela defesa.

Os ativistas foram libertados a 29 de junho por decisão do Tribunal Supremo, que deu provimento ao ‘habeas corpus’ apresentado pela defesa, pedindo que aguardassem em liberdade o resultado dos recursos da sentença da primeira instância.

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