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Colômbia: Um processo de Paz pouco pacífico devido à memória


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Colômbia: Um processo de Paz pouco pacífico devido à memória

O processo de paz na Colômbia tem sofrido há décadas avanços e recuos. Fracassou em 1984, em 1991 e em 1999, mas este ano, no final de agosto, foi finalmente alcançado, em Havana, Cuba, um acordo de paz entre o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

As tréguas punham fim ao conflito, com um cessar-fogo bilateral, e incluíam a desmobilização de mais de 5700 guerrilheiros, a reconstrução de uma paz estável e duradoura na Colômbia, e ainda a possibilidade de militantes das FARC formarem um novo partido político legal e concorrerem a eleições.

O acordo assinado foi levado inclusive pelo Presidente Juan Manuel Santos à sede das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, nos Estados Unidos (vídeo em baixo).

Parecia o fim de meio século de um conflito com mais de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e cerca de 6,9 milhões de deslocados. Só que o referendo de dois de outubro deitou tudo por terra e muito por causa da memória do mal causado aos colombianos pela ação dos guerrilheiros nos últimos 50 anos.

A maioria dos eleitores votou “não” ao Acordo alcançado em agosto e assinado já em setembro. Entre vários argumentos, os opositores do Acordo acusaram o Governo de laxismo face aos graves crimes cometidos pelas FARC, sublinhando a recusa em ver militantes do grupo guerrilheiro envolvidos na vida política do país.

Uma das principais faces do “não”, o antigo presidente Álvaro Uribe (liderou a Colômbia entre 2002 e 2010) exigiu mesmo a prisão dos guerrilheiros e apelou à união nacional no dia do referendo.

“Felicito todos aqueles que se esforçaram para estudar os acordos, que querem a paz, mas que disseram ‘não’ aos textos de Havana. Aos jovens colombianos, digo-lhes isto: a paz é alucinante, mas os acordos de Havana são dececionantes”, afirmou, então, num discurso em plena rua, o antigo chefe de Estado.

Do lado dos apoiantes do Acordo alcançado em agosto, a vitória do ‘não’ foi uma grande desilusão.

Motivado pelo Nobel da Paz recebido a sete de outubro — cinco dias após a “derrota” no referendo —, o Presidente da Colômbia insistiu no processo e garantiu que o cessar-fogo alcançado se iria manter pelo menos até final deste ano mesmo sem o Acordo ratificado.

Logo após o resultado adverso no referendo, Juan Manuel Santos anunciou: “agora vamos decidir entre todos qual será o caminho que devemos tomar para que a paz — essa paz que todos queremos — seja possível e saía ainda mais fortalecida desta situação. Não me rendo. Continuarei em busca da paz até ao último minuto do meu mandato.”

No final de outubro, os negociadores do governo colombiano e das FARC voltaram a sentar-se à mesa, na capital cubana. O diálogo prosseguiu, incluindo agora também as propostas dos movimentos de oposição ao primeiro acordo de paz assinado já em setembro.

Um novo entendimento foi alcançado na capital cubana a 12 de novembro e logo assinado entre o Governo colombiano e as FARC. O executivo liderado por Juan Manuel Santos sublinhou a modificação em 56 dos 57 pontos questionados pelos opositores no texto dos acordos de agosto.

Desta vez, porém, o Presidente anunciou: o acordo não será colocado a referendo, mas discutido e votado apenas no Congresso, onde — sublinhou Juan Manuel Santos — o povo e as diferentes posições políticas da Colômbia estão representadas.

A decisão não agradou aos opositores do perdão e da reintegração dos guerrilheiros na sociedade colombiana, muito menos agradados com a eventual entrada deles na vida política do país.

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