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Colômbia: Um processo de Paz pouco pacífico devido à memória

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De  Francisco Marques
Colômbia: Um processo de Paz pouco pacífico devido à memória

<p>O processo de paz na Colômbia tem sofrido há décadas avanços e recuos. Fracassou em 1984, em 1991 e em 1999, mas este ano, no final de agosto, foi finalmente alcançado, em Havana, Cuba, um acordo de paz entre o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (<span class="caps">FARC</span>).</p> <p>As tréguas punham fim ao conflito, com um cessar-fogo bilateral, e incluíam a desmobilização de mais de 5700 guerrilheiros, a reconstrução de uma paz estável e duradoura na Colômbia, e ainda a possibilidade de militantes das <span class="caps">FARC</span> formarem um novo partido político legal e concorrerem a eleições.</p> <p>O acordo assinado foi levado inclusive pelo Presidente Juan Manuel Santos à sede das Nações Unidas (<span class="caps">ONU</span>), em Nova Iorque, nos Estados Unidos (vídeo em baixo).</p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="https://www.youtube.com/embed/VgC33CnYBH0" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> <p>Parecia o fim de meio século de um conflito com mais de 260 mil mortos, 45 mil desaparecidos e cerca de 6,9 milhões de deslocados. Só que o referendo de dois de outubro deitou tudo por terra e muito por causa da memória do mal causado aos colombianos pela ação dos guerrilheiros nos últimos 50 anos.</p> <p>A maioria dos eleitores votou “não” ao Acordo alcançado em agosto e assinado já em setembro. Entre vários argumentos, os opositores do Acordo acusaram o Governo de laxismo face aos graves crimes cometidos pelas <span class="caps">FARC</span>, sublinhando a recusa em ver militantes do grupo guerrilheiro envolvidos na vida política do país.</p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="https://www.youtube.com/embed/DApIhwpQ744" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> <p>Uma das principais faces do “não”, o antigo presidente Álvaro Uribe (liderou a Colômbia entre 2002 e 2010) exigiu mesmo a prisão dos guerrilheiros e apelou à união nacional no dia do referendo.</p> <p>“Felicito todos aqueles que se esforçaram para estudar os acordos, que querem a paz, mas que disseram ‘não’ aos textos de Havana. Aos jovens colombianos, digo-lhes isto: a paz é alucinante, mas os acordos de Havana são dececionantes”, afirmou, então, num discurso em plena rua, o antigo chefe de Estado.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="es" dir="ltr">Comunicado de la Bancada del Centro Democrático/ Ante el anuncio del atropello <a href="https://t.co/3H9FTGLner">pic.twitter.com/3H9FTGLner</a></p>— Álvaro Uribe Vélez (@AlvaroUribeVel) <a href="https://twitter.com/AlvaroUribeVel/status/801387932263157760">23 de novembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script> <p>Do lado dos apoiantes do Acordo alcançado em agosto, a vitória do ‘não’ foi uma grande desilusão. </p> <p>Motivado pelo Nobel da Paz recebido a sete de outubro — cinco dias após a “derrota” no referendo —, o Presidente da Colômbia insistiu no processo e garantiu que o cessar-fogo alcançado se iria manter pelo menos até final deste ano mesmo sem o Acordo ratificado.</p> <p>Logo após o resultado adverso no referendo, Juan Manuel Santos anunciou: “agora vamos decidir entre todos qual será o caminho que devemos tomar para que a paz — essa paz que todos queremos — seja possível e saía ainda mais fortalecida desta situação. Não me rendo. Continuarei em busca da paz até ao último minuto do meu mandato.”</p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="https://www.youtube.com/embed/Igwjc_7dquM" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> <p>No final de outubro, os negociadores do governo colombiano e das <span class="caps">FARC</span> voltaram a sentar-se à mesa, na capital cubana. O diálogo prosseguiu, incluindo agora também as propostas dos movimentos de oposição ao primeiro acordo de paz assinado já em setembro. </p> <p>Um novo entendimento foi alcançado na capital cubana a 12 de novembro e logo assinado entre o Governo colombiano e as <span class="caps">FARC</span>. O executivo liderado por Juan Manuel Santos sublinhou a modificação em 56 dos 57 pontos questionados pelos opositores no texto dos acordos de agosto.</p> <div style="float: none; clear: both; width: 100%; position: relative; padding-bottom: 56.25%; padding-top: 25px; height: 0;"> <iframe style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%;" src="https://www.youtube.com/embed/JRTWrxqW7YU" frameborder="0" allowfullscreen></iframe> </div> <p>Desta vez, porém, o Presidente anunciou: o acordo não será colocado a referendo, mas discutido e votado apenas no Congresso, onde — sublinhou Juan Manuel Santos — o povo e as diferentes posições políticas da Colômbia estão representadas.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="es" dir="ltr">Tras escuchar todas las propuestas y alternativas, decidimos que la vía más eficiente y legítima para refrendar <a href="https://twitter.com/hashtag/NuevoAcuerdo?src=hash">#NuevoAcuerdo</a> es el Congreso</p>— Juan Manuel Santos (@JuanManSantos) <a href="https://twitter.com/JuanManSantos/status/801240770397302784">23 de novembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p> <p>A decisão não agradou aos opositores do perdão e da reintegração dos guerrilheiros na sociedade colombiana, muito menos agradados com a eventual entrada deles na vida política do país.</p> <blockquote class="twitter-tweet" data-lang="pt" align="center"><p lang="es" dir="ltr"><a href="https://twitter.com/hashtag/ActualidadFARC?src=hash">#ActualidadFARC</a> | Comunicado Conjunto No. 6 – Delegaciones de <a href="https://twitter.com/FARC_EPueblo"><code>FARC_EPueblo</a> y <a href="https://twitter.com/EquipoPazGob"></code>EquipoPazGob</a> informan: <a href="https://t.co/yY03aiTw08">https://t.co/yY03aiTw08</a></p>— <span class="caps">FARC</span>-EP (@FARC_EPueblo) <a href="https://twitter.com/FARC_EPueblo/status/801203519667769344">22 de novembro de 2016</a></blockquote> <script async src="//platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script>