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Rússia e China voltam a proteger Presidente da Síria das sanções da ONU


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Rússia e China voltam a proteger Presidente da Síria das sanções da ONU

A Rússia e a China voltaram esta terça-feira a proteger o regime de Bashar al-Assad de sanções pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) devido ao alegado uso de armas químicas no conflito civil que afeta a Síria há quase seis anos.

A proposta tinha sido apresentada pelos membros permanentes Reino unido, França e Estados Unidos, contou com a abstenção de Cazaquistão, Etiópia e Egito entre os 15 membros deste órgão da ONU, mas bastava o veto de um dos outros dois membros permanentes do Conselho de Segurança para não passar.

Russos, pela sétima vez, e chineses, pela sexta, aliaram-se uma vez mais na proteção do governo sírio. Também a Bolívia votou contra.

A nova embaixadora norte-americana na ONU acusou a Rússia de “simplesmente não querer criticar o regime de Assad pelo uso de armas químicas”. “Esta é a verdade”, sublinhou Nikki Haley perante a assembleia do Conselho de Segurança.

“A mensagem enviada por este veto é a de que China e Rússia vão sempre proteger os amigos que recorrem a armas químicas para matar o próprio povo. Alguns dizem que nos devemos ficar apenas no ‘daesh’, mas os Estados Unidos condenam qualquer uso de armas químicas. Seja pelo ‘daesh’ ou por outro agente não-estatal”, acrescentou a embaixador dos Estados Unidos.

Antes mesmo de a resolução ir a votos em Nova Iorque, de visita ao Quirguistão, Vladimir Putin justificou o veto russo, que já era conhecido há vários dias.

“Julgo ser absolutamente inapropriado sancionar agora o governo sírio. Sobretudo porque não vai ajudar o processo de negociação. Aliás, só o irá prejudicar porque iria minar a confiança nas negociações em curso. Por isso, a Rússia não apoia quaisquer novas sanções contra a Síria”, afirmou Putin.

O Presidente russo referia-se às conversações de paz retomadas na semana passada entre o regime de Assad e a oposição síria em Genebra, na Suíça.

O chefe da delegação da Alta Comissão de Negociações (ACN) da oposição síria tinha apelado segunda-feira a Moscovo para que tomasse “o partido do povo sírio e não o de alguém que está a destruir o seu país para se manter no poder”.

Nasser a-Hariri revelou ter para esta terça-feira uma reunião marcada com uma alta delegação russa, incluindo o vice-ministro dos Negócios Estranheiros, Guennadi Gatilov, e o encarregado do mesmo ministério para o Médio Oriente, Serguei Verchinin. O apelo não terá tido grandes efeitos junto do governo liderado por Vladimir Putin, um assumido aliado de Bashar al-Assad em especial depois das sanções aplicadas pelo ocidente a Moscovo devido à interferência no conflito ucraniano e à anexação da Crimeia.