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Rota da Seda: o espírito do rali raid

Ao longo da história a Rota da Seda desempenhou um papel fundamental para aproximar Europa e Ásia.

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Rota da Seda: o espírito do rali raid

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Ao longo da história a Rota da Seda desempenhou um papel fundamental para aproximar Europa e Ásia. Nos dias que correm dá o nome a uma das provas mais exigentes no mundo do rali raid e que tem vindo a crescer de ano para ano.

A sétima edição do Rali Rota da Seda atravessa os territórios da Rússia, Cazaquistão e China e promete fazer as delícias dos adeptos este verão.

No entanto, para podermos ver os grandes nomes do automobilismo a todo o gás deserto fora, há todo um trabalho invisível que começou muito antes.

“No rali raid a preparação é essencial, há muito trabalho por trás. Primeiro é preciso traçar as etapas, inicialmente com a ajuda de mapas, e evitar parques nacionais, zonas arqueológicas, zonas militares, etc. Uma vez escolhido o percurso, e quando já temos uma ideia da especial, vamos para o terreno para anotarmos todos os detalhes no road book. O road book é o único instrumento que o piloto e o co-piloto têm com indicações de navegação, se têm de seguir para norte ou sul, onde têm de virar, subir ou descer. Além dos dados do percurso, indica também as zonas de perigo,” revela o conselheiro desportivo do Rali Rota da Seda, Luc Alphand.

O perigo está sempre à espreita numa prova desta dimensão e não faltam ravinas ou rochedos que parecem surgir do nada. É o preço a pagar por competir fora da estrada e conduzir prego a fundo está longe de ser garantia de sucesso. Mais importante acaba por ser a capacidade de resistência e de adaptação às diferentes condições do terreno.

“O Rali Rota da Seda é um verdadeiro rali raid no sentido em que respeita as raízes da disciplina. Trata-se de uma grande viagem, este ano entre Moscovo e Xi’an, ou seja, cerca de dez mil quilómetros, o que só por si já é uma enorme aventura para piloto e co-piloto. Além disso, privilegia a resistência. São etapas muito longas e com uma diversidade de terrenos absolutamente fantástica. Temos grandes desertos, dunas, as planícies do Cazaquistão e também montanha. Há quilómetros, aventura, suor e medo, tudo o necessário para que uma equipa, no final da prova possa dizer, uau, está feito,” acrescenta Luc Alphand.

O vencedor será o piloto que melhor conseguir conjugar condução rápida, navegação e fadiga, factor onde as equipas de assistência desempenham um papel fundamental. Para os pilotos poderem dormir descansados o resto da equipa é obrigado a trabalhar pela noite fora bem longe das luzes da ribalta.

O ano passado a vitória foi arrebatada por Cyril Despres, para este ano, Luc Alphand arrisca um novo vencedor: “a Peugeot, este ano, é uma vez mais favorita, eles trabalham imenso e têm um carro bastante rápido. É uma equipa fantástica, o ano passado vieram com o Stephane Peterhansel, o Cyril Despres e o Sebastien Loeb e toda a gente dizia que o Loeb ainda não estava pronto. Mas agora já está. O ano passado cometeu erros de navegação que lhe custaram o primeiro lugar, talvez este ano possa festejar a sua primeira grande vitória.”

A euronews abriu a estrada para a edição de 2017 do Rali Rota da Seda, ao fazer parte do percurso entre Moscovo e Xi’an. As estrelas do Rali Raid farão o mesmo entre os dias 7 e 22 de julho.