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Neste Focus vamos até ao Senegal, um país que tem assumido como prioridade a aposta no tecido empresarial. E a verdade é que algumas PME senegalesas se tornaram num modelo além-fronteiras.

Um desses exemplos é hoje líder no setor agroalimentar. “Começámos em 1976. O fundador, Babacar Ngom, investiu 100 euros para comprar 120 pintainhos. E tudo começou assim… A história da Sedima, os 50 milhões de euros que fazemos hoje em volume de negócios, tudo começou com um investimento inicial de 100 euros”, conta-nos Anta Babacar Ngom Bathily, da Sedima.

Há cerca de 430 pessoas a trabalhar nesta empresa que conta também com mais de 10 mil produtores de ovos e galinhas em todo o país. Nos últimos anos, a estratégia tem sido dotar a estrutura de instalações high-tech e diversificar a atividade. Neste momento, aposta até no imobiliário.

“Desde 2016 que estamos no Mali, na Guiné Equatorial, no Congo… O nosso objetivo é tornarmo-nos numa das maiores empresas agroalimentares de África”, afirma Anta Babacar Ngom Bathily.

“Queremos um crescimento inclusivo que abranja todos os senegaleses”

Um outro exemplo vem de uma startup, lançada em 2008, que se transformou numa gigantesca plataforma digital de serviços financeiros, como transferências de valores, a operar em cerca de 60 países. Diariamente, regista à volta de um milhão de transações.

“A Wari conseguiu criar um modelo vanguardista e conquistar um mercado onde antes só havia multinacionais”, diz-nos Aicha Kouyate, a diretora-geral.

300 empregos diretos, mais de 45 mil indiretos – o crescimento passou pela diversificação de serviços e pela aquisição da segunda operadora de comunicações senegalesa.

Há já alguns anos que o Senegal apresenta uma taxa de crescimento em torno dos 6%-7%, mas o objetivo é atingir a fasquia dos dois dígitos. No entanto, não se trata apenas de números: os senegaleses realçam que querem um crescimento de qualidade, inclusivo, e que traga mudanças reais para o dia a dia.

Pierre Ndiaye é o homem responsável por delinear a estratégia económica do Senegal. “Queremos um crescimento organizado, um crescimento inclusivo que abranja todos os senegaleses. E para isso, temos de ter em consideração todos os empresários em nome individual, todas as PME, declara.

Existe um banco específico e vários fundos junto dos quais os empresários podem solicitar financiamento para poder aceder, entre outros, a concursos públicos e inovar. Os custos para a criação de uma empresa caíram para metade. A maior parte das etapas pode ser feita online.

Mountaga Sy, diretor-executivo da Invest in Senegal, afirma que “as plataformas eletrónicas serão consolidadas com a implementação do telepagamento, o que vai dotar o Senegal de uma administração moderna, sem papel, transparente, eficaz e com toda a segurança”.

As mudanças abrangem também os setores da água e eletricidade. “Os prazos de acesso a água passaram de 75 a 20 dias. Na eletricidade, baixamos dos 80 para os 48 dias, acrescentando ainda uma redução de 10% nas tarifas”, explica Mountaga Sy.

Anta Babacar Ngom Bathily remata: “Investimos em localidades bastante isoladas. Já chegámos até Notto, uma zona que nem sequer tinha água, nem eletricidade há apenas alguns anos. Graças a todas estas infraestruturas, conseguimos instalar incubadoras para produzir 40 milhões de unidades por ano”.

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Agradecimentos: Buzzlab Motion Pictures