Última hora

O Sónaro famoso festival de música eletrónica em Barcelonaconverteu-se à realidade virtual e à inteligência artificial na edição deste ano. O congresso paralelo Sónar+D, dedicado à criatividade e tecnologia, contou com nomes como Björk, Brian Eno ou Daito Manabe, entre várias exposições e instalações.

“Há novos criadores, como o Daito Manabe ou a própria Björk, que estão a quebrar os limites entre as diferentes disciplinas e que necessitam de formatos mais flexíveis, mais híbridos. O facto de termos no festival um ícone como Björk, que criou uma viagem pelo seu universo musical através do projeto “Björk digital” – que é uma compilação de todas as marcas que o seu trabalho deixou nos mais variados suportes audiovisuais, ao invés do habitual concerto – é um sinal do caminho que estamos a tomar. Ou seja, os festivais são cada vez mais espaços flexíveis onde se apresentam diferentes tipos de experiências”, considera José Luis de Vicente, diretor do Sónar+D.

O lendário produtor Brian Eno trouxe uma instalação de pinturas de vídeo, que estará patente até outubro. “Nós dividimos a música em dois segmentos: ao nível do chão e a um nível mais aéreo, espacial. Os sons mais altos estão no nível superior. E preenchem este espaço. São emitidos por 12 canais. Um deles é este gotejar que estamos a ouvir… O álbum Reflection está disponível de duas formas: há a parte física – o CD ou o vinil – que é fixa; e depois criei uma aplicação, que é uma espécie de versão infinita do trabalho. É possível ir construindo a música à medida que a ouvimos. E é irrepetível, não tem fim”, explicou.

No pavilhão Mies van der Rohe, o americano Mark Bain apresentou uma performance sonora assente em sensores instalados no subsolo, que os visitantes ativavam através dos seus passos. “É uma espécie de autocomposição. A arquitetura do edifício, o som, a eletrónica, fazem todos parte do sistema. É o que permite que o som nasça. Gosto do facto de ser caótico e de escapar totalmente ao meu controlo”, disse-nos Bain.

Na tenda 360° era mostrada a obra audiovisual “Quadrivium”, uma imersão futurista dos artistas espanhóis Óscar Sol e Ralp.

O venezuelano Arca e a americana Dawn marcaram dois dos momentos musicais mais impressionantes.