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Violência prossegue e há nova "greve cívica" anunciada na Venezuela


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Violência prossegue e há nova "greve cívica" anunciada na Venezuela

Após mais um dia de violentos protestos na Venezuela, a oposição ao Presidente Nicolás Maduro anunciou uma nova “greve cívica” de 48 horas contra a alteração da Constituição desejada pelo chefe de Estado e Governo.

A manifestação deste sábado, em Caracas, que tinha como destino o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), degenerou uma vez mais em confrontos com as autoridades. Diversas pessoas ficaram feridas, incluindo cinco jornalistas, após a ação de repressão pelas forças de segurança.



Lilian Tiontori, mulher de Leopoldo López, um dos líderes da oposição, apontou o dedo ao presidente do STJ, órgão que sentenciou em abril a tomada do poder da Assembleia Nacional (parlamento), órgão legislativo dominado pela coligação das forças de oposição e que tem sido um obstáculo às pretensões de Maduro, numa altura em que o país atravessa uma grave crise política, social e económica.

“Não há paz sem justiça, Maikel Moreno (n.: presidente do STJ). O STJ tem de garantir o respeito pela lei, mas já desde há muito tempo o que tem vindo a ser é o braço executor da ditadura”, acusou Lilian Tintori.


Em nome da Mesa da Unidade Democrática (MUD), a coligação da oposição, o deputado Simon Calzadilla anunciou em conferência de imprensa o novo protesto organizadoi para quarta e quinta-feira: “Convocamos toda a população, todos os setores, para 48 horas de greve cívica.”

O mesmo deputado anunciou para a próxima sexta-feira, 28 de julho, uma manifestação para exigir que o Presidente Maduro “retire” o seu projeto de Assembleia Constituinte.

Depois do atual Supremo Tribunal ter sentenciado a tomada do poder legislativo do Parlamento eleito, Nicolás Maduro iniciou um mês depois, a 01 de maio, o processo de alteração da Constituição com o anúncio da eleição de uma Assembleia Nacional Constituinte (ANC). “Precisamos de transformar o Estado e sobretudo essa Assembleia Nacional (parlamento) apodrecida que temos aí”, afirmou o Presidente num discurso em pleno Dia do Trabalhador, de pronto contestado por Henrique Capriles, outro dos líderes da oposição.


A decisão de Maduro intensificou os protestos, com a oposição a temer o fim da democracia e a consolidação da ditadura no país caso a vontade do Presidente se concretize no próximo domingo, 30 de julho, dia previsto para a eleição dos 545 membros da ANC, que irão ser os responsáveis pelas alterações à Constituição venezuelana.

Este sábado, Nicolás Maduro afirmou entretanto ter recebido por parte de um intermediário estrangeiro — que não identificou — um pedido da oposição para adiar “por umas semanas” a eleição da ANC de forma a puderem também inscrever-se e candidatar-se ao sufrágio.


O Presidente venezuelano disse estar recetivo, mas apenas se surgisse uma declaração de intenção da oposição em participar na “Constituinte”, o que terá sido rejeitado, contou o líder “chavista” durante uma entrevista no programa “La Hojilla”, da televisão estatal VTV.


A Venezuela entra esta segunda-feira na derradeira semana antes da anunciada eleição da ANC, com a oposição apostada em impedir o processo através de uma agressiva mobilização de protestos e desobediência civil perante os preparativos do Governo para o sufrágio.


Mais de 7,5 milhões de pessoas participaram há uma semana numa consulta organizada pela oposição à margem do Governo e do poder eleitoral. Cerca de 98 por cento dos participantes terão rejeitado o processo de alteração da Constituição venezuelana.

Desde o início de abril, os protestos antigoverno na Venezuela já provocaram uma centena de mortos, informou no sábado o Ministério Público local.

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