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Macau em polémica eleitoral a duas semanas das eleições

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De  Euronews
Macau em polémica eleitoral a duas semanas das eleições

<p>(Lusa)</p> <p>O candidato às eleições legislativas de Macau, José Pedruco Achiam, que viu a sua entrevista ao semanário Plataforma ser apagada por ordem da comissão eleitoral, garantiu que a sua lista não fez “nada de ilegal”.</p> <p>“Não sei porque é que aconteceu (…) Muitos leitores podem também ter a mesma dúvida. Não fazemos nada ilegal”, disse , à margem de uma conferência de imprensa para apresentar a plataforma política da já deputada Angela Leong.</p> <p>José Pedruco Achiam ocupa o lugar número 12 na lista Nova União para o Desenvolvimento de Macau, liderada pela quarta mulher do magnata do jogo Stanley Ho.<br /> <br /> <strong>Achiam não quis entrar em detalhes</strong><br /> <br /> O candidato não quis tecer comentários sobre o caso, dizendo apena que a “equipa está sempre confiante” de que “tudo o que fizeram é legal”.</p> <p>Questionado sobre se já foi contactado pela polícia, José Pedruco Achiam disse ter sido “por isso” que o advogado “tomou conta do caso”.<br /> <br /> <strong>O “caso Plataforma”</strong><br /> <br /> No passado dia 18, o macaense deu uma entrevista ao semanário bilingue <strong>Plataforma Macau</strong>, em que falou sobre quais considerava serem as possibilidades de ser eleito — “mínimas” —, as preocupações em relação à cidade e os temas fortes da futura campanha.</p> <p>Na altura, tinham já sido afixadas as listas, mas não iniciado o período de campanha, e por isso a comissão considerou que o conteúdo constituía propaganda eleitoral, não autorizada até duas semanas antes das eleições legislativas, marcadas para 17 de setembro.</p> <p>A entrevista saiu em papel, mas após a ordem da Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (<span class="caps">CAEAL</span>) foi retirada da Internet.</p> <p>Na quarta-feira, o presidente da <span class="caps">CAEAL</span>, o juiz Tong Hio Fong, explicou que a publicação da entrevista em causa não tem consequências para a lista, mas sim para José Pedruco Achiam: “Relativamente a esse candidato, mandámos para a <span class="caps">PSP</span> para tratamento subsequente. </p> <p>“É um ato pessoal, é responsabilidade da pessoa. Pode sofrer uma pena de multa de duas mil a 10 mil patacas (207 a 1.038 euros)”.<br /> <br /> <strong>Acusações do diretor do Plataforma de Macau</strong><br /> <br /> Na sexta-feira, o diretor do Plataforma Macau, Paulo Rego, escreveu um editorial em que acusa o presidente da <span class="caps">CAEAL</span> de uma “perversa confusão entre jornalismo e propaganda”</p> <p>“Tong Hio Fong acha que, em vésperas de eleições, os políticos não devem falar aos jornais; se o fizerem que falem de futebol e do tempo”, criticou, considerando que “assim se atropela alegremente a Lei Básica, a Lei de Imprensa e o Segundo Sistema”.</p> <p>“Na China chama-se censura. Assumidamente, sem medo nem pruridos, por ser esse o regime que lá vigora. Aqui mascara-se a coisa com uma falsa higiene pública e de uma moral política que não cabe no espaço, no tempo e no regime que vivemos”.</p> <p>A ordem de retirada da entrevista levou a Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (<span class="caps">AIPIM</span>) a emitir, na segunda-feira, um comunicado no qual repudiou a decisão, que classificou como “incompreensível”.</p>